Preocupação com Aedes aegypti volta no período de chuva em Manaus
A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) deu início ao levantamento do índice de infestação pelo mosquito Aedes aegypti. A ação consiste na visitação dos agentes de saúde aos domicílios
Todos os anos, o mestre de obras Ediney Melo Guimarães, 44, morador do beco Itaúba, bairro Jorge Teixeira 1ª etapa, Zona Leste, fica receoso neste período de chuva. O principal motivo para a preocupação dele é um mosquito, mas não qualquer um: o Aedes aegypti, transmissor do vírus da Zika, da febre Chikungunya e da dengue.
Ediney mora perto do igarapé do Mindu e, depois que foi diagnosticado com dengue, passou a se preocupar ainda mais com um problema comum a toda a vizinhança do Mindu: o lixo que fica acumulado às margens do igarapé. São garrafas, latas, copos, plásticos e até eletrodomésticos que acumulam água e servem de criadouro do mosquito mais temido pelos órgãos de saúde pública.
“Tive uma vez a doença e para nunca mais. Por isso que a minha preocupação é redobrada. Sei que moro em uma área de risco, mas sempre que possível tento manter a limpeza nesta área para evitar a procriação do mosquito. Infelizmente muitos não pensam neste cuidado e é por isso que a doença é persistente na sociedade”, disse Ediney.
Mesmo morando em área de risco, todos os anos Edney recebe a visita dos agentes de endemias que orientam a família sobre todos os cuidados que é preciso ter não só neste período chuvoso, mas durante o ano todo. Uma única tampa de garrafa que acolha um pouco de água parada pode servir de ambiente de procriação do mosquito, alertou.
Levantamento
Na manhã de ontem, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) deu início ao levantamento do índice de infestação pelo mosquito Aedes aegypti. A ação consiste na visitação dos agentes de saúde aos domicílios, com a finalidade de identificar e coletar larvas, bem como eliminar os potenciais criadouros do mosquito.
De acordo com o titular da Semsa, Homero de Miranda Leão, a ideia deste levantamento é dar continuidade à orientação da população. “Esse levantamento é realizado três vezes em um ano. No último trimestre tivemos um resultado satisfatório, com a redução dos casos. Mas não é por causa deste resultado que iremos deixar de fazer o nosso papel. Vamos dar continuidade a essas orientações, pois é a população o principal aliado neste combate”, disse o secretário.
Multa para terrenos
De acordo com o titular da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Homero de Miranda Leão, durante o levantamento, casos de empresas e canteiros de obra em que forem encontrados criadouros do mosquito Aedes aegypti serão encaminhados diretamente para a Vigilância Sanitária. Eles poderão ser multados.
Campanha
Para o tratamento de potenciais criadouros do mosquito Aedes aegypti, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) utilizará o larvicida Spinosad, que tem como ingrediente ativo o Espinosade, produto derivado da fermentação biológica da bactéria Saccharolpolyspora spinosa, de ocorrência natural do solo. Sob forma de pastilhas e com duas camadas, o Espinosade age de maneira rápida na despolarização dos neurônios, causando paralisia e morte da larva.
De forma simultânea, os agentes de controle de endemias realizarão ações de educação em saúde nos domicílios visitados. Por meio da mobilização, a população será orientada quanto aos sinais e sintomas das doenças, as formas de prevenção para minimizar os riscos e combater os focos propícios para a criação e reprodução do Aedes aegypti.