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A Crítica
Opinião

Polêmica no transporte público

Com menos ônibus nas ruas em função da greve dos rodoviários, a espera nas paradas exigiu muita paciência, sem falar na disposição para encarar os coletivos superlotados

Publicado em 16/04/2025 às 08h52
Polêmica no transporte público
Foto: Paulo Bindá

Ontem, os usuários do transporte público de Manaus tiveram mais um dia de provação. Com menos ônibus nas ruas em função da greve dos rodoviários, a espera nas paradas exigiu muita paciência, sem falar na disposição para encarar os coletivos superlotados. Os trabalhadores do sistema exigem reajuste salarial e a manutenção dos empregos dos cobradores.

Sobre este último pleito, é necessário avaliar com máximo cuidado a possível ampliação das atribuições dos motoristas, que podem ser responsáveis também pela cobrança das passagens, excluindo a figura tradicional do cobrador. Infelizmente, é fato que a função de cobrador está em transformação.

Em diversas cidades, o motorista já acumula as funções. Segundo dados da Associação
Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), a figura do cobrador foi  completamente extinta em 33 cidades. Mas é preciso considerar que, em muitas
destas, o nível de qualidade e organização do sistema de transporte público torna a medida menos traumática. Pagamento exclusivo com cartão e outras soluções eletrônicas,
e número adequado de veículos nas ruas para evitar superlotação foram algumas
providências tomadas para que os cobradores pudessem ser retirados sem sobrecarregar os motoristas. Essa está longe de ser a realidade de Manaus.

Outro aspecto a se considerar é o legal. As empresas argumentam que a medida está
dentro da lei, uma vez que não configuraria acúmulo de funções. De fato, alguns
tribunais já têm decisões nesse sentido e em 2020, o Tribunal Superior do Trabalho
(TST) reafirmou que o motorista de ônibus pode acumular a função de cobrador. Ainda
assim, há uma enxurrada de ações judiciais a respeito do tema. Também há projetos de
lei tramitando na Câmara que proíbem os motoristas-cobradores, de modo que o assunto
está longe de ser plenamente pacificado.O impacto social, com desemprego dos  cobradores é outro ponto.

De acordo com as empresas, parte dos cobradores será remanejada para outras funções, como a comercialização de cartões, mas, como o principal objetivo é reduzir custos, é certo que haverá muitas demissões. O assunto é dos mais polêmicos e, em meio
ao fogo cruzado, por enquanto, o principal prejudicado é o usuário do transporte
público.