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A Crítica
Opinião

A Amazônia no mundo e no Brasil

Fundo Amazônia tem por finalidade captar doações para investimentos não reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento

Publicado em 11/02/2023 às 09h36
A Amazônia no mundo e no Brasil
Foto: Leonardo Prado/MPF

Amazônia e, em particular a grave situação do povo yanomami, mobilizam alguns países do mundo para a retomada do Fundo Amazônia e/ou doações a esse fundo com o compromisso de que os recursos financeiros sejam aplicados em ações de conservação e reparação de danos na região.

Criado em 2008, o Fundo tem por finalidade captar doações para investimentos não reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, e de promoção da conservação e do uso sustentável da Amazônia Legal; e apoia o desenvolvimento de sistemas de monitoramento e controle do desmatamento no restante do Brasil e em outros países tropicais.

Cabe ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) gerir os recursos, a partir de dois comitês, orientador e técnico. Noruega e Alemanha são os principais doadores e, nesse momento, governos de outros demonstram interesse em participar. O dos Estados Unidos, anunciou na sexta-feira, durante visita do presidente Lula aquele país, adesão ao Fundo Amazônia que hoje tem 102 projetos financiados.

A agenda Amazônia no mundo permanece impactando e ganha no atual governo brasileiro maior importância. Internamente, os governos dos Estados e das prefeituras da Região Amazônica, a maioria com problemas profundos ao lidar com a pauta amazônica, têm a tarefa de se inserir nesse contexto e nele atuarem, o que implica, na quase totalidade das administrações, rever o modelo de atuação.

O que é um exercício complicado e desafiador, considerando a relação estreita de alguns gestores públicos na Amazônia com atividades que contrariam as ideias de preservação, conservação e de ecossustentabilidade.

Enquanto há posição favorável a um pacto internacional em favor da Amazônia, internamente caberá ao governo federal liderar negociações que possam configurar a aliança nacional em defesa da região. São interesses antagônicos que estão postos e até agora venceu os que deixam “a boiada passar”. Fechar essa porteira e fazer valer princípios, legislação e acordos de cuidado e respeito nos territórios amazônicos é batalha árdua na atual conjuntura.

Historicamente, os governos do Brasil trataram a Região Amazônica como uma dificuldade e não como possibilidade. A postura tem sido repetitiva e submetido essa região a experiências devastadoras. Ao mesmo tempo, a Amazônia é percebida por parcela da governança mundial como fundamental ao futuro do Brasil e do mundo.