Emergência climática
Ultimamente, eventos naturais extremos têm tomado espaço no noticiário mundial. Especificamente no Brasil, estamos enfrentando a maior seca deste século, com direito a incêndios gigantescos em biomas sensíveis como o Pantanal, crise hídrica, tempestades de terra no Sudeste e uma gangorra climática com ondas de frio intenso intercaladas por calor elevado. Mais do que nunca, o tema “mudanças climáticas” precisa encontrar espaço prioritário na agenda das nações. O Brasil tem um papel fundamental nesse debate, o que aumenta a responsabilidade dos representantes brasileiros na 26ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP 26. Na última segunda-feira, representantes de 14 secretarias estaduais e mais 21 autarquias que tratam sobre a temática, inclusive do Amazonas, participaram de uma reunião estratégica visando o evento que ocorrerá de 31 de outubro a 12 de novembro em Glasgow, na Escócia.
Apesar de todos os efeitos que já estamos vivenciando, diversos governos resistem em admitir a gravidade da situação, uma vez que as medidas sugeridas – sobretudo a redução na emissão dos gases que causam o efeito estufa – exigem investimentos públicos e privados de grande vulto. Todo o modelo industrial precisa ser adaptado, sem falar nos impactos para a indústria do petróleo que, necessariamente, teria que perder espaço para outras fontes de energia menos poluentes. São muitos interesses envolvidos. Mas é urgente que os impasses sejam superados. O mundo está diante de uma emergência que deve ser enfrentada conjuntamente pelas nações, com adoção de estratégias discutidas e implementadas conjuntamente.
A dinâmica das ações precisa mudar. O tema do aquecimento global já é discutido há décadas, mas não houve avanço significativo. O mundo não pode esperar que os eventos adversos se tornem ainda mais extremos para quebrar a inércia e começar a agir de maneira efetiva. Um primeiro passo é admitir o problema e não tentar mascará-lo com números falseados e argumentos contorcidos. Espera-se que os representantes do Brasil apresentem um quadro realista da situação do País na COP-26. Governos precisam abandonar o negacionismo e trabalhar ativamente em uma agenda comum. Segundo estudiosos do mundo todo, ainda não é tarde demais, porém, não resta muito tempo antes do ponto sem retorno.