Atrizes manauaras brilham nos palcos de São Paulo
Flávia Marinho e Giovanna Maquiné estão no elenco de “Medida por Medida”, de Shakespeare
Os manauaras não param de brilhar em São Paulo. Após Cleia Santos se tornar a primeira bailarina amazonense a ingressar no Balé da Cidade de São Paulo e Gandhi Tabosa ser anunciado como coreógrafo da comissão de frente da escola de samba Tom Maior, agora é a vez da dupla Flávia Marinho e Giovanna Maquiné conquistar os holofotes. A dupla é destaque da peça “Medida por Medida”, que segue em cartaz na capital paulista até o dia 30 de março, no Teatro Nair Bello.
A montagem é uma comédia sombria de William Shakespeare adaptada para os anos de 1920, que gira em torno de um duque que deixa Viena sob o comando de Ângelo, um político autoritário que, ao assumir o poder, decide reformar as leis e adotar decretos que ameaçam desestabilizar a sociedade. Quando Ângelo se apaixona por Isabella, irmã de Cláudio, um jovem condenado por engravidar a namorada, ele se vê diante de um dilema moral: manter sua rígida postura legalista ou sucumbir à tentação e colocar à prova sua ética.
Em “Medida por Medida”, Giovanna dá vida a Isabelle e Flávia interpreta Pompeu, que diz “trabalhar atrás do bar”, mas não passa de um cafetão e braço direito de Madame Bempassada, dona da “casa de massagens”. “Como o próprio nome diz, interpreto um homem na peça, mas sou toda caracterizada como mulher. Essa foi uma proposta direta do diretor [Marco Antônio Pâmio] para o personagem. E esse foi um dos meus maiores desafios como atriz, porque eu não sabia se as pessoas iam gostar ou se comprariam a ideia do Pompeu ser interpretado por uma mulher”, revelou a atriz ao BEM VIVER.
A peça estreou no último dia 13 e, segundo Flávia, tem recebido um feedback bastante positivo por conta do público. “As pessoas têm amado a peça, temos ouvido coisas muito boas. Apesar de ser uma montagem de Shakespeare, não é um texto difícil de ser compreendido, acho que isso ajuda bastante no interesse do público por ela”, destacou.
A atriz se mudou para São Paulo em 2021 e, desde lá, fez oficinas de atuação, curta-metragem, websérie e, agora, está no processo de um longa que, talvez, vire um seriado. Sobre a experiência de trabalhar ao lado do diretor Marco Antônio Pâmio, ela foi só elogios: “Trabalhar com o Pâmio foi um desafio muito agradável. Ele tem uma carreira admirável no teatro, já fez Shakespeare, então, sabe bem o que quer”.
“Lemos o texto várias vezes e chegamos na fase dos ‘testes’. Pompeu caiu no meu colo de surpresa. A princípio, eu dividiria o personagem com um colega, mas, já nos ajustes finais da peça, foi decidido que eu ficaria com o personagem durante a montagem inteira”, acrescentou Flávia.