Prefeito confirma aumento e tarifa de ônibus pode chegar a R$ 5
Reajuste com valor ainda não anunciado deve começar em fevereiro. Em outras capitais, anúncio varia entre R$ 0,20 e R$ 0,90
O prefeito David Almeida (Avante) anunciou na manhã desta sexta-feira (3) que a tarifa de ônibus será reajustada a partir de fevereiro. O novo valor ainda não foi divulgado. Atualmente, a passagem custa R$ 4,50, após o aumento de maio de 2023, quando subiu de R$ 3,80. O anúncio ocorre dois dias após o gestor assumir o segundo mandato e segue a linha de reajustes confirmados em outras capitais do Brasil.
“Nós vamos ter que negociar o subsídio dos trabalhadores do transporte coletivo, e é necessário, como em todo o Brasil, fazer o aumento da tarifa de ônibus. Essa é a correção que vamos ter que fazer. Já estamos no terceiro ano, e vamos corrigir agora, provavelmente no início do mês de fevereiro. Estamos finalizando os estudos para poder apresentar à sociedade manauara e amazonense esses impactos e, dessa forma, fazer a correção da tarifa de ônibus”, disse David Almeida em coletiva de imprensa.
O anúncio do prefeito ocorre no momento em que outras capitais do país também divulgaram os novos valores para este ano. A cidade com a passagem mais cara do país é Florianópolis (SC), que tinha tarifa de R$ 6 e agora passa a ser de R$ 6,90. Em Salvador (BA), o novo aumento foi de R$ 0,40, subindo de R$ 5,20 para R$ 5,60. Já em Belo Horizonte (MG), a tarifa subiu de R$ 6 para R$ 6,40.
Em São Paulo (SP), o aumento na passagem foi de R$ 0,60, alcançando R$ 5. Além dessas, houve reajuste em Natal (RN), de R$ 4,50 para R$ 4,90. Já em Recife, a tarifa subiu de R$ 4,10 para R$ 4,30. No Rio de Janeiro, o valor foi de R$ 4,30 para R$ 4,70.
Se a Prefeitura de Manaus seguir a média de aumento de outras cidades, a capital deve ter um custo tarifário entre R$ 4,90 e R$ 5. O reajuste colocaria a capital do Amazonas com valores similares aos de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.
Auditoria no transporte
O prefeito de Manaus, David Almeida, afirmou na manhã desta sexta-feira, em entrevista à Rede Tiradentes, que a capital enfrentou problemas no transporte coletivo durante os últimos quatro anos, o que elevou os custos da pasta.
“A gente está dando um choque de gestão em relação ao subsídio, que é um item muito caro para a gestão pública. Em 2024, tivemos que injetar R$ 520 milhões para manter o sistema de transporte coletivo funcionando. Vamos fazer uma auditoria na bilhetagem e trazê-la de volta. Vamos trabalhar novas políticas dentro do sistema de transporte coletivo, abrir a planilha de custos, entender o que estamos pagando, porque é um custo muito alto para a população”, afirmou o chefe do Executivo.
Um dos motivos dos altos custos, segundo ele, é que a prefeitura evitou possíveis paralisações ao longo dos anos. “Não deixamos acontecer nenhuma greve no transporte coletivo em quatro anos, mas isso saiu muito caro para a prefeitura, e precisamos reduzir [esses custos] em 10 ou 20%”, declarou.
Corte de subsídios
O vice-prefeito Renato Júnior (Avante) informou, durante sua posse no dia 1º deste ano, que assumiu o comando do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) de forma positiva e que irá atuar estrategicamente para reduzir os subsídios repassados ao sistema de bilhetagem.
“Recebo com muita alegria o desafio do prefeito David Almeida de estar à frente da Secretaria de Infraestrutura e também do Instituto de Mobilidade Urbana. Com muita tranquilidade, faremos as primeiras reuniões esta semana. Não temos dúvida de que, com o trabalho da gestão do prefeito David, alcançaremos bons resultados”, ressaltou.
Renato Júnior destacou que serão realizadas auditorias para verificar os gastos da prefeitura e corrigir eventuais excessos, incluindo os repasses ao sistema de bilhetagem, que atualmente está sob o comando do Sinetram.
“Nós temos questões prioritárias, como o subsídio. Hoje o valor é altíssimo e é repassado para completar o custo da passagem, garantindo o funcionamento do sistema de transporte público. Vamos analisar todos os contratos e realizar uma auditoria, não apenas na Secretaria, mas também no sistema de bilhetagem”, afirmou.
A assessoria de comunicação do Sinetram informou que ainda não houve reunião do sindicato com o novo diretor-presidente do IMMU “para atender suas expectativas de mudanças, novas frentes de trabalho e definir como se dará este novo momento de parceria”, mas adiantou que o encontro deve ocorrer nos próximos dias.