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A Crítica
Opinião

Tratativas animadoras sobre a BR-319

A expectativa é que o governador retorne de Brasília com boas notícias a respeito do projeto de recuperação da estrada, fundamental para retirar o Amazonas do isolamento em que se encontra

Publicado em 18/12/2024 às 08h54
Tratativas animadoras sobre a BR-319
Foto: Arquivo A CRÍTICA

É animador o fato de o governador do Amazonas, Wilson Lima, ter sido convidado pelo governo federal para discutir, em Brasília, a problemática da rodovia BR-319, que já está no período mais intransitável do ano devido às chuvas. A reunião contou com a presença dos chefes das principais pastas envolvidas na questão: ministro dos Transportes, Renan Filho; ministra do Meio Ambiente, Marina Silva; e ministro da Casa Civil, Rui Costa, o que reforça a esperança de que o projeto tenha alguma celeridade. A expectativa é que o governador retorne de Brasília com boas notícias a respeito do projeto de recuperação da estrada, fundamental para retirar o Amazonas do isolamento em que se encontra.

Mas, em se tratando de BR-319, nunca podemos nos animar muito. Basta lembrar que, recentemente, o ministro Renan Filho afirmou que a recuperação do “trecho do meio” da rodovia – parte mais crítica da via – depende da implementação de um programa de governança ancorado em estudos profundos de fauna, flora, sociedade e demais fatores envolvidos na complexidade do tema. Tal solução não se constrói em poucos meses. 

O governador Wilson Lima adiantou, ontem, seu principal argumento em favor da reconstrução da estrada: a rodovia é elemento essencial para reduzir os impactos de grandes fenômenos climáticos, como a seca extrema que assolou a região neste ano.

Com a navegabilidade dos rios comprometida e sem uma estrada plenamente trafegável ligando o Estado ao restante do País, restou ao Amazonas se esforçar para amenizar o sofrimento da população atingida e contabilizar os prejuízos. A Zona Franca de Manaus, por exemplo, apesar dos prejuízos por conta das dificuldades no recebimento de insumos importados, fecha o ano com bons resultados de produção e faturamento. O sucesso teria sido maior, com geração de mais empregos e divisas para o Estado se a estrada fosse uma opção segura e barata para o transporte de matérias-primas. 

É fato que, sem a estrada, não é só o Amazonas que perde; o Brasil todo perde. Se o governo federal, por meio dos ministros, tiver assimilado esse entendimento, teremos dado um passo significativo rumo à solução definitiva desse problema que se arrasta há tantas décadas.