Manaus seg, 2 nov
A Crítica
Saúde

De portas fechadas, comércio em Manaus se reinventa para manter vendas

O primeiro dia de restrições das atividades não essenciais, impostas pelo Governo do Amazonas, através do Decreto 43.234 de 23 de dezembro de 2020 foi marcado pelo esvaziamento do comércio no centro de Manaus.

Publicado em 26/12/2020 às 22h39 · Atualizado em 22/03/2022 às 16h44
De portas fechadas, comércio em Manaus se reinventa para manter vendas
Foto: Maria Luiza Dacio

O primeiro dia de restrições das atividades não essenciais, impostas pelo Governo do Amazonas, através do Decreto 43.234 de 23 de dezembro de 2020 foi marcado pelo esvaziamento do comércio no centro de Manaus. Mas, também, desobediência e protestos de pessoas que mantiveram o seu comércio em plena atividade, em algumas zonas da capital amazonense.

Nas principais ruas do centro comercial o movimento de pessoas e de veículos foi baixo. A maioria das lojas estava fechada e algumas apresentavam avisos aos consumidores sobre as regras do decreto e também como comprar produtos por meio das redes sociais.

Na rua Sete de Setembro foram instaladas barreiras para restrição da passagem de pessoas para as áreas onde há grande concentração de lojas, como na rua Marechal Deodoro, que há uma semana, estava lotada de consumidores em busca dos presente de Natal.

Leia Mais >> Covid-19: Governo do AM vai adotar medidas para reduzir impactos econômicos

Para garantir que não houvesse nenhum tipo de comercialização na área conhecida como “bate palma”, viaturas da polícia militar foram deslocadas e permaneceram durante todo dia para controlar e orientar sobre as restrições.

Sem pai e sem mãe, dizem vendedores

Mesmo assim ao lado da viatura dois vendedores de joias, que trabalham por comissão, ainda permaneciam no local, na tentativa de vender alguma peça. “ nós estamos aqui sem pai sem mãe por que nós trabalhamos por comissão. E fomos pegos de surpresa. Se a gente vender a gente ganha, se não vender a gente não ganha. E agora está tudo fechado, ninguém entra ninguém sai estamos nessa situação aqui como você está vendo“, disse o vendedor Anselmo Gustavo.

O colega de Anselmo disse que vai passar dificuldades se não vender. “Eu tenho sete filhos e não tenho outra renda. Não sei como farei”, disse Valciney dos Santos, comerciante da área há 31 anos.

Ja na zona Leste de Manaus, as medidas de restrição foram cumpridas pela maioria dos comerciantes, na avenida Autaz Mirim. Apenas lojas como farmácias e supermercados estavam com as portas abertas. Mas, por volta das 16h30 um grupo de motoristas realizou um protesto contra as medidas impostas pelo decreto de fechamento das atividades não essenciais e bloqueou o trânsito na avenida Autaz Mirim, bem em frente ao Hospital Pronto-Socorro Platão Araújo. Além de pararem o trânsito, os manifestantes soltaram fogos e buzinaram, incessantemente, bem em frente ao hospital. E, atrapalharam a passagem de ambulâncias com pacientes. A manifestação fechou a Bola Produtor e se deslocou em direção à zona norte.

Indecisos

Para o técnico de refrigeração, Fernando Silva o decreto poderia ter sido aplicado antes no Natal. “Por um lado concordo, por outro discordo. Em parte ele tá certo de parar as atividades do comércio para evitar que o vírus se alastre mais ainda. Mas em parte não, porque se ele tivesse de parar para evitar o contágio, deveria ter parado antes do Natal. E ainda teve as eleições, com um bocado de político saindo nas ruas. Então acho que ele deveria ter parado antes. Tá certo que 100 vidas recuperadas não pagam uma vida perdida e precisamos parar com esse vírus aqui em Manaus. Então, acho que poderia ter sido antes das eleições”, disse o técnico.

Na área de feira do Mutirão, zona Norte de Manaus, os comerciantes das barraquinhas de venda de alimentos estavam funcionando. Barracas de frutas, legumes e pescado estavam em atividade, mas poucos clientes procuravam os produtos no fim da tarde. Mesmo com a pandemia eles vendiam os produtos sem manter os cuidados necessários para evitar o contágio.