Manaus dom, 8 nov
A Crítica
Polícia

Suspeitos são presos por linchamento em Jutaí

Abraão Lopes Ferreira, 32, David Araújo Freitas, 23, Mateus Soares Lopes, 25, e uma mulher de 19 anos, foram presos preventivamente nesta quinta-feira (21)

Publicado em 22/11/2024 às 15h40
Suspeitos são presos por linchamento em Jutaí
Foto: Nilton Ricardo

Abraão Lopes Ferreira, 32, David Araújo Freitas, 23, Mateus Soares Lopes, 25, e uma mulher de 19 anos, foram presos preventivamente nesta quinta-feira (21), pelo envolvimento no linchamento de Gregório Patrício da Silva, 48, em Jutaí (município distante 750 quilômetros de Manaus). O crime aconteceu em setembro deste ano, após ele ser preso por estuprar e matar uma criança de um ano e sete meses.

De acordo com a Delegada Mariane Menezes, titular da 56° Delegacia Interativa de Polícia (Dip) de Jutaí, Da Silva havia se apresentado espontaneamente na delegacia, confessando os crimes. Durante o interrogatório a população invadiu o prédio, retirou o suspeito da carceragem, linchou e incendiou o corpo em via pública.

“Essas pessoas se aglomeraram na frente da delegacia e começaram a inflamar a população para fazer justiça. Eles entraram na delegacia, arrombaram a sala, pegaram essa pessoa, mataram a pauladas e depois carbonizaram o corpo em uma fogueira”, declarou a delegada.

Segundo informações da delegada, a mãe teve total participação no crime, uma vez que ela inflamou a população ao linchamento, invadiu a delegacia, praticou o homicídio, carbonizou o corpo, além de atear fogo em uma motocicleta da guarda municipal.

“Ela resistiu à ordem da prisão. Quando temos um ato que é lícito, nós temos que obedecer, não pode chegar fazendo justiça com as próprias mãos e cometer um assassinato. Então ela participou efetivamente dos quatro crimes que a indiciamos”, salientou Menezes.

Além dos quatro presos preventivamente nesta quinta-feira, outras doze pessoas foram indiciadas pelos mesmos crimes e outras doze por vilipêndio a cadáver, resistência qualificada e explosão.

“Esses quatro foram presos por conta de uma passagem já na polícia. Os demais identificados são amigos, são familiares, além da população revoltosa. A própria população fez vídeos. Logo depois do crime, pegamos essas imagens que estavam na rede social e avaliamos quem seria cada pessoa afim de efetivamente saber os autores”, explicou.

Os quatro presos responderão por homicídio qualificado, dano qualificado, incitação ao crime e resistência qualificada.

“Nós entendemos a revolta da população, nós sabemos que foi grave o que ele fez, mas não cabe ao povo fazer justiça. Porque se cada um fizer o que acha que tem que fazer, nós não temos Estado, nós não temos sociedade. A polícia e o Estado não corroboram com isso, porque não se paga uma barbárie com outra barbárie”, terminou a delegada.