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A Crítica
Saúde

Chips da beleza: entenda a polêmica

Especialistas desmistificam os dispositivos que ganharam força nas redes sociais, após o uso por famosos para melhoria estética

Publicado em 26/10/2024 às 12h45
Chips da beleza: entenda a polêmica

Nos últimos meses, os chamados “chips da beleza” têm ganhado destaque nas redes sociais e na indústria da estética, com a promessa de resultados rápidos e eficazes no combate ao envelhecimento da pele, flacidez e, até mesmo, perda de peso. Desta forma, este fenômeno nos convida a refletir sobre a interseção entre a tecnologia, saúde e estética, sem cair nas armadilhas de idealizações ou condenações precipitadas.

Com isso em mente, o VIDA & ESTILO deste sábado (26) conversou com especialistas de Manaus, com o intuito de desmistificar essa “inovação” – fugindo do extremismo e pautando a busca pela beleza e bem-estar da maneira como ela deve ser tratada, com informação e responsabilidade.

Na última semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a manipulação, comercialização, propaganda e uso desses dispositivos, após denúncias de entidades médicas que relataram um aumento no número de pacientes com complicações.

Antes de tudo, porém, é importante explicar o que são esses “chips”. “O termo ‘chip da beleza’ se refere a um implante hormonal que seria capaz de melhorar a aparência física”, disse o endocrinologista Mário Quadros.

Com 35 anos de experiência, o especialista em Endocrinologia afirma que nenhuma via de administração hormonal deve ser usada com fins estéticos. “O problema não são os implantes, que são a solução de várias deficiências hormonais em milhares de pessoas. (…) O problema é quem prescreve e com que fim prescreve”, frisou Quadros.

Segundo ele, com a decisão da Anvisa, agora, milhares de pessoas se encontram sem saída para o tratamento de suas doenças: “O argumento de que não existem comprovações científicas atesta para o desconhecimento por parte de algumas pessoas, que, de forma irresponsável, privam milhares do seu tratamento, demonstrando que a preocupação nunca foi com a saúde dos pacientes”.

Riscos

O clínico geral pós-graduado em Nutrologia, Thales Stein Schincariol, esteve, na última semana, com a equipe técnica da Anvisa, que segue montando novas normas técnicas para a boa prática e a segurança no uso dos dispositivos hormonais. “Foi espetacular estar com as maiores autoridades no assunto, discutindo em tão alto nível”, revelou.

De acordo com ele, o primeiro passo para desmistificar esses implantes é abandonar o uso do termo “chips da beleza”. “Esse nome deve ser combatido por todas as entidades médicas. Isso não existe, além de fazer uma alusão a algo que, às vezes, não será atingido pela paciente, gerando transtornos e até efeitos adversos. Os chips ou, como conhecemos na Medicina, pellets subcutâneos são hormônios que têm sua indicação baseada na boa prática da Medicina. Eles podem ser hormonais e não-hormonais, como testosterona e estradiol, por exemplo”, frisou.


(Thales Schincariol lembra que não existe tratamento fantasioso e que a prática de exercícios físicos, boa alimentação e excelente qualidade de sono são inegociáveis)

Schincariol destaca que os principais riscos desses implantes estão sempre associados ao seu mau uso, com os efeitos colaterais relacionados à hiperandrogenia. “Que é um processo de virilização da mulher, com o surgimento de acnes, queda de cabelo e alteração nos órgãos genitais e na voz”, acrescentou o clínico geral.

Cuidados

Para evitar esses sintomas, Schincariol recomenda procurar um profissional capacitado e que veja, de fato, as suas reais necessidades. “Se bem indicado, a mulher vai ter um ganho tão impressionante na qualidade de vida, que só tem benefícios a longo prazo”, pontuou.

Entre esses benefícios, ele lista: redução do risco de osteoporose, melhora do perfil muscular, redução da incidência de doenças demenciais e sintomas depressivos, melhora na vida sexual e na autoestima.

“Porém, uma aplicação errada pode causar aumento do peso corporal, sensação de fadiga e queda de cabelo. Mas, novamente, com os pellets, não foi observado qualquer tipo de efeito grave a longo prazo”, reforçou.

Ele encerra lembrando que não existe milagre na busca pela perfeição estática. “Existe dedicação. Nenhum ‘chip’, medicação ou qualquer outro tratamento fantasioso vai substituir o básico: exercícios físicos, boa alimentação e uma excelente qualidade de sono. Esses tratamentos são adjuvantes a eles e essa condição é inegociável”, concluiu Schincariol.