Da terra de Chico Mendes, massagista do Fast compartilha paixão pelo futebol
Conhecido como Traca, o massagista do Tricolor de Aço, José Campos da Silva atua há quase três décadas na beira dos gramados de futebol pelo Brasil
Uma vida dedicada à beira dos gramados de futebol! Essa é a definição para a relação do torcedor e massagista do Fast Clube, José Campos da Silva, o famoso Traca, 59, com o esporte bretão. Vitorioso pela maioria dos clubes onde passou, com 29 anos de atuação como massagista, Traca tem na sua raiz antes do futebol, uma ligação com o ativista ambiental Chico Mendes, assassinado em dezembro 1988, no estado do Acre.
O massoterapeuta do Rolo Compressor nasceu na mesma cidade de Chico Mendes, em Xapuri, no Acre, e muito além disso, foi vizinho do saudoso ativista até a mudança para o Amazonas aos nove anos de idade.
“Eu morava em Xapuri, então nossa casa ficava duas casas da dele. Então eu sabia tudo, eu andava na rua, e na época ele já era ativista. Aprendi muita coisa com ele. Ele era um homem de verdade. Ele chamava meu próprio pai pra se reunir e falar sobre nosso direito da terra. Meu pai me levava pra essas reuniões, até ele vir pra Manaus e deixamos tudo pra lá”, relatou o massagista fastiano.
‘Estudioso da bola’
A curiosidade e a paixão pelo mundo da bola fez Traca aos 19 anos despertar de vez o dom de massagista. E duas pessoas ajudaram no pontapé inicial da profissão: o massagista do Vasco da Gama na década de 80, Eduardo Santana, e o atual massagista do Amazonas FC, Peninha.
“Um cara que eu aprendi muito foi o massagista do Vasco, quando vieram jogar aqui em Manaus na década de 80. E ele me disse uma frase: ‘Garoto se tu queres aprender a ser massagista tu tem que praticar e estudar. Não adianta tu vir fazer uma coisa da tua cabeça se tu não praticas. Faz o que tu gosta e estuda o que tu aprendeste’. E daí eu coloquei na minha cabeça que ia ser massagista. E eu também sou muito grato ao Peninha, que me ensinou muito coisa de futebol. Sou grato a ele, um cara muito profissional e muito amigo”, expressou.
Além da orientação profissional recebida no início da carreira, Traca também teve o pai Rubens Campos da Silva, que foi sócio proprietário do Fast Clube, e deixou como herança a paixão pelo Tricolor da Boulevard.
“Meu pai sempre me falava que um dia eu ia trabalhar no Fast. E me tornei um torcedor. Hoje sou um funcionário, cumpro minha parte e o torcedor fica pra depois, a gente tem que fazer o melhor como profissional”, enfatizou.
Momento marcante
Com passagens por inúmeros clubes do país, Traca colecionou muitos feitos, mas o massagista elegeu como mais especial o histórico título estadual pelo América de 2009 do eterno Amadeu Teixeira.
“A que mais marcou na minha vida a de 2009 quando o América foi campeão Amazonense, e o nosso acesso que nós conseguimos a vaga, mas não levamos por jogador irregular”, desabafou o massagista do Tricolor de Aço.
O legado de Traca
Quase três décadas de profissão no futebol, o massagista fastiano diz que ainda tem muito caminho pela frente, e falou até quando pretende atuar nos bastidores do futebol.
“Eu quero trabalhar até os 70 anos e quero encerrar minha carreira profissional no Fast, é o meu sonho”, revelou o massagista que pretende repassar todo o conhecimento adiante.
“Eu vou passar meu bastão, até meu material que eu tenho entrego pra outra pessoa e vou ensinando. Vou passar meu conhecimento da profissão, pra trabalhar e ganhar dinheiro”, finalizou o massagista que ainda não escolheu o seu sucessor.