O voto como atitude em defesa da cidade
Número de candidaturas registradas é de 456.310, sendo 301.310 de homens e 155 mil de mulheres
Neste domingo (3), eleitores brasileiros de 5.569 municípios irão eleger vereadores e prefeitos. O eleitorado é de 155.913.680 de pessoas aptas a votar de acordo com o levantamento apresentado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o número de candidaturas registradas de 456.310, sendo 301.310 de homens e 155 mil de mulheres.
Mesmo com sinais de maior participação de mulheres, de mulheres negras e indígenas e de indígenas, as eleições municipais deste ano mantêm a marca da presença majoritária de candidaturas de homens. Pela segunda vez, o TSE registra maior número de candidaturas de pessoas que se autodeclararam negras (são 52,7% do total).
Dos candidatos indígenas, são 2.479 o que corresponde a um crescimento de 14.13% em relação as eleições de 2020. O Estado de Roraima é o que apresenta o maior número de candidaturas indígenas. Um aumento nesse tipo de participação, mas bem distante do quadro desejado que é o de maior presença indígena nos espaços de poder.
As eleições, em geral, envolvem um sentimento de busca de melhorias para várias áreas que afetam a vida das pessoas. No pleito municipal, a cidade é o alvo e perceber como funcionam os serviços públicos ou aqueles concessionados, qual é a energia que o lugar tem a partir de uma série de arranjos que busquem contemplar seus moradores é um dos aspectos que esse tipo de eleição deveria ter como compromisso.
A concepção de um modelo de campanha eleitoral e a promoção da ideia que é desse modelo – normalmente concebido pela cultura da violência e que ignora a apresentação e o debate de propostas que candidatos à câmara municipal e à prefeitura deveriam promover – permanece como primeira opção. Não se privilegia o debate nem a educação eleitoral que envolve querer conhecer as propostas e querer saber como será possível desenvolvê-las.
Os interesses que movem os negócios da cidade ganham proporção e tensionam em escala elevada nas campanhas eleitorais. São esses interesses em duelo que os cidadãos, antes de querer escapar da “chatice” eleitoral, precisam perceber a necessidade de compreender e, a partir daí, decidir. As eleições municipais são oportunidades periódicas para a cidadania se apresentar ou não, demonstrar que acompanha, que faz cobranças e que decide. Não é assunto de uns poucos, e sim de todos que na cidade vivem. Que hoje, dia de votar, seja tomada uma atitude em defesa da cidade.