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A vida e obra de Alencar e Silva em exposição no Palacete Provincial

‘O Canto do Poeta’ resgata as memórias da família e amigos do poeta. A mostra vai até o dia 19 de março

Publicado em 04/03/2022 às 18h45 · Atualizado em 12/03/2022 às 13h36
A vida e obra de Alencar e Silva em exposição no Palacete Provincial

A poesia e a vida do poeta amazonense, membro fundador do Clube da Madrugada e imortal da Academia Amazonense de Letras, Joaquim de Alencar e Silva, se faz presente numa exposição intimista e biográfica chamada “O Canto do Poeta”, que resgata suas obras e memórias da família e amigos, de forma interativa. A programação conta com palestra sobre o escritor, oficinas de poesia e um sarau poético. A mostra começou em fevereiro e vai até o dia 19 de março, de quarta-feira a sábado, das 9h às 15h, no Palecete Provincial. As visitas são agendadas pelo site cultura.am.gov.br.

Exposição que nasceu de um sonho

A filha de Alencar e Silva, professora e escritora Rita Alencar Clark tinha o sonho de resgatar, reeditar e publicar a obra de seu pai. Foi assim que nasceu a exposição. Segundo a curadora Virna Lisi, o objetivo da filha era apresentar os livros do poeta para as novas gerações.

“O intuito [de Rita] é tornar os livros de seu pai conhecidos para as novas gerações reconhecerem sua importância na história e literatura amazonense e se servirem de sua excelência em língua portuguesa, com sua métrica impecável e seus temas tão atuais e atemporais”, ressalta Lisi.

O gabinete do poeta

A exposição mostra ao público como foi a vida de Alencar e Silva por meio de uma linha do tempo de fotos e datas importantes na história do poeta. Além disso, a curadora quis transportar o público para dentro do universo idílico de Alencar e Silva por meio de uma instalação denominada “O gabinete do poeta”.

“É um cantinho que surpreende quem entra na exposição, que é o motivo do título ‘O Canto do Poeta’, tanto se refere à poesia dele quanto ao ‘canto’ físico, o ‘cantinho’ onde ele criava e se sentia em seu ninho. O Gabinete do Poeta possui objetos e obras de arte que hoje é acervo da família: livros, máquina de datilografia, obras de grandes pintores do Clube da Madrugada que eram amigos de Alencar e Silva: Afrânio de Castro, Van Pereira e Moacir Andrade, pela primeira vez expostas ao público”, destaca Virna Lisi.

Público infantil

Os poemas mais famosos de Alencar e Silva são apresentados em formatos inusitados e permite a interação com o público, inclusive, o infantil.

“Temos uma instalação que se chama ‘Chuva de Poesia’, uma chuva de fitas com marcadores de livros com poema nas pontas, em que eu quis oferecer algo lúdico ao público infantil: poesia com cor e movimento e deu certo – esse momento da visita é o sucesso entre crianças. Outro poema que as crianças adoram é ‘Cantar de Andarilho’: as estrofes do poema são pegadas de um andarilho, as crianças caminham lendo”, enfatiza Virna.

A exposição conta, ainda, com uma vitrine que contém relíquias do poeta, como seu medalhão de Imortal da AAL – Academia Amazonense de Letras e a 1ª edição original de “Painéis”, o primeiro livro publicado em 1952.

Poemas gigantes

A curadora ressalta que, além dos poemas dentro da galeria, há também três poemas gigantes em vinil instalados na área externa do palacete. “Eu, como curadora, sempre tenho um sentimento de incluir mais e mais pessoas na troca que é levar arte e cultura para uma exposição. Eu quis levar a poesia de Alencar e Silva para a rua, para o povo ler. Ler da parada do ônibus, ler da calçada, ler de dentro do carro, ler de dentro do ônibus que espera o sinal abrir”.

Programação literária

A exposição conta com uma programação literária em duas datas: neste sábado (05), ocorrerá a Oficina de Poesia ministrada por Rita Alencar Clark e Virna Lisi irá palestrar sobre o processo de curadoria. A segunda data da programação será no encerramento, dia 19 de março, com um Sarau Poético e contará com a participação de escritores e poetas acadêmicos e consagrados e também a nova geração de poetas do 3º milênio.

A curadoria foi possível graças a colaboração da família de Alencar e Silva, na qual cedeu o acervo e informações sobre o poeta.

“Para mim, foi uma curadoria bem complexa, profundamente intimista; passei por vários processos para formatar cada detalhe, cada cantinho da exposição e devo todo o conteúdo à confiança da Rita Alencar Clark que adorou a sugestão de fazer uma exposição quando ela me mostrou a obra de seu pai. Agradeço a colaboração de todos os filhos do poeta, que me forneceram seu acervo e informações orais sobre Alencar e Silva na intimidade da família e dos amigos”, agradece Virna Lisi.

Trecho

Parte do poema anti racista “Cantopranto a Nicolás Guillén”, que está em exposição:

III

“Lembras-te um dia um menino

negro foi assassinado

por mirar branca menina

que caminhava a seu lado.

Se o menino assassinado,

sua camisa de domingo

e sua entrada para el cine

gritam em meu coração,

mais gritam, Guillén, em nós,

os que se vão a passar

sob os dobres de finados

dos carrilhões do luar”.

Serviço

O quê: Exposição “O Canto do Poeta”

Onde: Palacete Provincial – Praça Heliodoro Balbi, Centro.

Quando: Até o dia 19 de março

Quanto: Gratuito