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A Crítica
Esportes

Multicampeã Marleide Borges treina o filho, que já bateu recorde amazonense

Aos 19 anos, Mateus Borges acumula títulos nacionais no atletismo e segue os passos da mãe, ex-atleta e treinadora com mais de 30 anos de carreira no esporte

Publicado em 09/05/2026 às 20h43
Multicampeã Marleide Borges treina o filho, que já bateu recorde amazonense
Foto: Arquivo Pessoal

A história de Marleide Borges e Mateus Borges une legado, talento e paixão pelo atletismo. Multicampeã da modalidade e treinadora há mais de 30 anos, Marleide hoje acompanha de perto o crescimento do filho, que vem colecionando títulos, quebrando recordes e construindo uma trajetória promissora no esporte.

Aos 19 anos, Mateus já soma pódios em competições nacionais, como o Brasileiro, Jogos Escolares Brasileiros, Jogos Universitários, no salto triplo e no salto em distância. Em 2026, Mateus iniciou a temporada estabelecendo um novo recorde amazonense no salto em distância, com a marca de 7,62m, resultado que garantiu índice para o Troféu Brasil, em julho, além da vice-liderança do ranking brasileiro sub-23 da prova.

Mas ele teve a quem puxar: sua mãe e treinadora, Marleide, além de ter longa jornada como treinadora, também tem no currículo títulos importantes de salto em distância, salto em altura e, ainda, no heptatlo. Ela foi campeã Brasileira Juvenil, campeã dos Jogos Universitários e, entre outras medalhas, ganhou a prata no Sul-Americano de Atletismo em 1986, no heptatlo.

“Ter uma mãe treinadora e que também foi atleta e conquistou tantas coisas, inclusive uma prata no Sul-Americano é inspiração para mim, faz com que eu queira alcançar resultados incríveis, assim como ela”, destaca Mateus.

E não faltam oportunidades para os dois encararem novos desafios: em junho, Mateus e Marleide irão ao campeonato mais importante do ano da categoria do atleta, o Campeonato Brasileiro Loterias Caixa de Atletismo sub-23, e ainda terão também os Jogos Universitários Brasileiros, além do maior campeonato da América Latina de atletismo, o Troféu Brasil.

Um atleta como os outros

Segundo Marleide, a relação do filho com o atletismo surgiu de forma natural, acompanhando sua rotina desde a infância.

“O envolvimento dele com o atletismo vem desde pequeno quando ele ia para a Vila Olímpica comigo. Depois, ele aprendeu junto com as outras crianças na Vila, e sempre era o atleta que assimilava melhor as técnicas das provas”, destaca.


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O talento apareceu cedo. Na primeira competição disputada após a pandemia, Mateus terminou o ano liderando o ranking brasileiro sub-16 e conquistou a medalha de bronze no Campeonato Brasileiro.

“Foi o impulso para continuar treinando”, explica Marleide.

Desde então, os resultados evoluíram temporada após temporada, sempre com a mãe no comando dos treinamentos. E, segundo ela, a convivência entre mãe e treinador nunca foi um problema:

“No treinamento, ele é atleta, como os outros. Mas ele sempre soube separar a mãe e a treinadora. Sempre atencioso, hoje ele já ajuda a orientar os atletas iniciantes”, argumenta Marleide.

A treinadora relembra momentos especiais, tanto bons quanto desafiadores, vividos ao acompanhar a jornada do filho como atleta:

“Já tivemos momentos de frustração, e na hora da competição, ele pediu para eu não desistir dele, e a emoção foi maior do que a medalha; e um momento de muita alegria foi quando ele foi ao alambrado comemorar comigo, sempre medalhando em nível de Brasileiro escolar e depois nos Jogos Universitários”, destaca.

Mateus também tem lembranças especiais vividas com sua mãe em competições:

“O momento mais especial foi quando eu fui medalhista em duas provas no mesmo campeonato Brasileiro. Mas também foi a quebra do recorde amazonense, quando nós dois ficamos incrédulos”, ressalta.

Um presente que a vida deu


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Para Mateus, ter a mãe ao lado em cada etapa da carreira faz toda a diferença.

“Tê-la como treinadora é um presente que a vida me deu. Ela é minha patrocinadora, psicóloga, às vezes fisioterapeuta, todas as funções mesmo e, além de tudo, é minha mãe. O perfil dela é de ser motivadora e de cobrar bastante também, mas como vice-campeã Sul-Americana não tem como ela não ser assim, mas eu até gosto disso, me diverte”, destaca Mateus.

Ele afirma que sempre foi muito próximo da mãe, mas que o gosto pelo esporte fortaleceu ainda mais essa relação:

“É um sonho não só meu e dela, mas também da família, então nos uniu muito mais porque vimos que o nosso esforço traria e traz resultados muito satisfatórios para a gente”, explica.

E qual dos dois é mais competitivo? Mateus garante que é a mãe, mas que na hora de entrar em ação ele demonstra que não é diferente dela:

“Imagino que o mais competitivo entre nós seja ela, mas quando entro na pista, fica bastante elas por elas”.

Isso se comprova quando se vê os resultados e dá para notar também que tanto treinadora quanto atleta têm a ambição necessária para chegarem ainda mais longe. O grande sonho dos dois é chegarem juntos às principais competições do mundo:

“Queremos ir juntos para as Olimpíadas ou para um Campeonato Mundial”, resume Mateus.

Ensinamentos

Marleide Borges disse que é o tipo de treinadora que estimula seus atletas a estudarem, a pensarem numa formação para o futuro, e ela conta que este é um ensinamento que sempre passa como mãe para seu filho, também hoje formado em língua inglesa e estudante de Odontologia da UEA.

“Incentivo todos os alunos a terem uma profissão pós-vida atlética e, assim, formei grandes atletas e grandes profissionais, que retornam para agradecer e lembrar o que passamos, e muitos deles contam para o Mateus sobre os esforços para ser atleta, o sacrifício que vale a pena”, destaca.

Mas, para além dos ensinamentos à beira da pista, Marleide ensina seu filho a ser mais do que um atleta de sucesso.

“Como mãe e treinadora passo sempre que ele deve ter disciplina, resiliência e humildade, porque técnica a gente treina, caráter é o que fica quando a carreira acaba”, resume.