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A Crítica
Meio Ambiente

Após fuga em massa de garimpeiros em Roraima, MPF Amazonas vai até TI Yanomami

A viagem está marcada para os dias 18 a 23 de fevereiro e acontece em meio a crise humanitária de repercussão mundial

Publicado em 13/02/2023 às 18h12
Após fuga em massa de garimpeiros em Roraima, MPF Amazonas vai até TI Yanomami
Foto: Divulgação

O Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM) prepara uma comitiva para ir até a região da Terra Indígena Yanomami (TIY) localizada no Amazonas. A viagem está marcada para os dias 18 a 23 de fevereiro e acontece em meio a crise humanitária de repercussão mundial que escancarou casos de desnutrição, doenças, garimpo ilegal e violência na TIY de Roraima.

Na semana passada, A CRÍTICA noticiou que o Governo do Amazonas monitora a possível migração de garimpeiros de Roraima para o território amazonense. O risco surgiu após o governo federal iniciar uma operação de expulsão das pessoas que estavam ilegalmente na TI Yanomami de Roraima. Na ocasião, a nossa reportagem questionou o MPF-AM para saber se o órgão acompanha a questão.

Em retorno nesta segunda-feira (13), o Ministério Público informou que possui 14 procedimentos internos ligados à situação dos Yanomami do Amazonas. O mais recente deles, de outubro de 2022, refere-se a casos de vulnerabilidade social acompanhados pelo órgão na região do Rio Negro.  

“Também existem missões do MPF, junto com outros órgãos, agendadas para breve em áreas da Terra Indígena Yanomami no estado do Amazonas. Uma comitiva do MPF estará na região entre 18 e 23 de fevereiro, em várias diligências, inclusive participando da Assembleia Yanomami no rio Marauiá, em Santa Isabel do Rio Negro”, afirmou o Ministério Público, em nota.

Para além do risco de migração garimpeira, em duas reportagens de janeiro e fevereiro, A CRÍTICA noticiou falta de medicamentos, problemas de infraestrutura e aumento de doenças gastrointestinais na TI Yanomami do Amazonas. Apesar do cenário, o governo federal tem concentrado a operação na TIY de Roraima.

Na semana passada, a Fundação Estadual do Índio (FEI) visitou a região do Alto Rio Negro e passou por aldeias indígenas do povo Yanomami.

Nesta segunda (13), o diretor-presidente da Fundação, Vanderlei Alvino, afirmou que a ação teve por objetivo conhecer as demandas locais e não estava ligada diretamente à crise humanitária. 

“Fizemos uma visita no Alto Rio Negro como um todo justamente para balizarmos os novos projetos e ações da Fundação. Visitamos também os Yanomami, verificamos o peso dos indígenas do lado do Amazonas e nada assim de muito discrepante, [a situação] não está muito grande como está lá para Roraima”, disse.

A reportagem apurou que a defensora pública do Amazonas, Isabela Sales, está em contato com o Comitê criado pelo governo federal para atender os Yanomami de Roraima. Ela pretende acompanhar os trabalhos do grupo e tentar fazer com que a ação se estenda para o Amazonas. Sobre isso, enviamos pedido de nota ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e aguardamos retorno.