Fumaça alivia em Manaus, mas ainda castiga cidades do interior
Amazonas fechou agosto com mais de 10 mil focos de calor, recorde desde o início dos registros
A fumaça de queimadas aliviou em Manaus nos últimos dias, mas cidades do interior do Amazonas continuam encobertas pela nuvem tóxica. Na manhã deste domingo (1/9), enquanto a qualidade do ar era considerada ‘moderada’ na capital, municípios como Lábrea, Apuí, Humaitá, Itamarati, Boca do Acre e Tapuá estavam em situação classificada como ‘péssima’.
O cenário foi registrado pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), plataforma criada por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UEA) e considerada referência no estado.
Em todo o Amazonas, e com base nos municípios que possuem sensor de monitoramento da qualidade do ar, o pior cenário é em Lábrea. Em agosto, o município foi o quinto do Brasil a registrar mais focos de calor, 1.959. Neste domingo, a cidade amanheceu respirando um ar com 794 (µg/m3) de material particulado, nível 31 vezes maior que o ideal.
A segunda pior qualidade do ar estava em Boca do Acre, que registrou 362,8 (µg/m3) de material particulado, 14 vezes acima do ideal. O município registrou 694 focos de calor em agosto, ficando na 17ª posição entre todas as cidades brasileiras.
Conforme o Selva, todos os municípios localizados no sul do Amazonas registravam qualidades péssimas de ar na manhã deste domingo. A região, conhecida como ‘Arco do Fogo, fronteira com Acre, Rondônia, Pará e Mato Grosso, concentra os maiores níveis de queimadas do estado. O avanço da atividade agropecuária é considerado pelo Ibama o principal motivo dos incêndios provocados.
Neste mês, o Amazonas registrou 10.328 focos de calor, recorde em toda a série histórica, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os meses de junho e julho também foram recordes.
Além dos municípios com qualidade péssima do ar, há outros que registram níveis considerados ruins e moderados em diferentes regiões do Amazonas. Além de Manaus (moderado), há Borba e Autazes com classificações ‘ruins’ e Tonantins e Eirunepé como ‘muito ruins’.
Em entrevista para A CRÍTICA publicada no sábado (31), o cofundador do Selva e doutor em Meteorologia, Rodrigo Souza, disse que a fumaça de queimadas deve continuar no estado pelas próximas semanas.
“Essa fumaça deve persistir hoje e amanhã também. Muito provavelmente deve-se alongar uns dias por aqui. Enquanto os ventos não retirarem essa fumaça da nossa região, ela vai persistir por aqui, porque a probabilidade de chuva é muito pequena”, disse.