Governo do Estado lança operação de combate ao desmatamento no sul do AM
Ação integrada acontecerá em parceira com a operação Verde Brasil 2, deflagrada pelo governo federal
Visando combater o desmatamento ilegal e as queimadas não autorizadas no Amazonas, a operação Curuquetê 2 foi lançada ontem. Articulada entre órgãos ambientais e de Segurança Pública, a ação integrada acontecerá em parceira com a operação Verde Brasil 2, deflagrada pelo governo federal, para atuar no controle do desmatamento e queimadas na Amazônia.
Como reforçou o secretário estadual adjunto de Planejamento e Gestão Integrada (Seagi), coronel Hermes Silva de Macedo, a operação será realizada de forma integrada com todos os órgãos.
“Iniciamos a operação dentro de um planejamento guiado pela doutrina de comando e controle. Ano passado nós tivemos efeitos muito positivos com apoio do governo federal e, agora, estamos prontos para atuar de forma assertiva”, afirmou.
Segundo o secretário de Estado do Meio Ambiente (Sema), Eduardo Taveira, em coletiva à imprensa na manhã de ontem, as ações também serão direcionadas para a região metropolitana de Manaus, que concentra, junto aos municípios do sul do Estado, o maior número de alertas de desmatamento e focos de calor.
“Cerca de 97% dos desmatamentos estão concentrados no sul do Amazonas, que é uma região que tem uma atividade maior do ponto de vista do uso do solo, com a atividade agrícola, enquanto a região metropolitana de Manaus reúne 1% dos alertas. As ações de inteligência e o plano operacional executado em conjunto vão servir de orientadores para os órgãos atuantes, para que possamos, de forma mais imediata, conter a curva de desmatamento”, disse.
O secretário destacou também que o objetivo da operação irá além do controle, pois também levará a “presença do estado” a áreas críticas do desmatamento para levar cidadania às pessoas que desejam trabalhar e produzir, mas respeitando as questões ambientais.
“Serão feitos, no sul do Amazonas, a análise de 8 mil cadastros ambientais rurais. São recursos na ordem de R$ 2,5 milhões para que possamos repreender o crime e a ilegalidade, mas também, com a forte presença do estado, pretendemos regularizar a situação daquelas pessoas que querem trabalhar de maneira organizada. Temos o compromisso de alcançar essas pessoas e apresentar as propostas e soluções para que a ilegalidade seja transformada numa ação de cidadania”, destacou Eduardo Taveira.
Segunda etapa
A segunda etapa da Operação Curuquetê está inserida no Plano de Prevenção e Combate ao Desmatamento e Queimadas no Amazonas (PPCDQ), lançado no último 5 de junho. O Plano visa orientar a governança ambiental no biênio 2020-2022 com o objetivo de frear o desmatamento ilegal no Amazonas e incentivar, a longo prazo, o uso sustentável dos recursos naturais, com ênfase nas áreas críticas de desmatamento e queimadas.
A Operação Curuquetê 2 é executada de forma integrada pela Sema; pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam); Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), por meio do Sistema Integrado de Comando e Controle (SICC), com a participação de tropas da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia Técnico-Científica, além da Defesa Civil.
Participam ainda, por meio da Operação Verde Brasil 2, o Exército Brasileiro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), entre outras instituições.
Primeiras ações
O município de Humaitá (distante 695 quilômetros de Manaus), que foi escolhido como base da operação, já recebeu equipes no último domingo (14) para o planejamento da dinâmica em campo. De acordo com o diretor-presidente do Ipaam, Juliano Valente, as primeiras ações estão voltadas para fiscalização em madeireiras que atuam no perímetro.
“Essa operação começa exatamente no primeiro ciclo de desmatamento no Amazonas. A ideia é combater o desmatamento; diminuir esses índices para que possamos, lá na frente, diminuir também as queimadas, que acontecem geralmente após a segunda quinzena de agosto, com o fim do primeiro ciclo”, pontuou.
Além da base operativa, os Centros Multifuncionais do Sistema Estadual de Meio Ambiente em Apuí, Boca do Acre e Humaitá também servirão como núcleos de estratégia e inteligência para as equipes de combate envolvidas na operação.
Box
O nome da operação faz alusão ao rio Curuquetê, situado no município de Lábrea, conhecido por ser rota comum de escoamento de madeira ilegal no sul do Amazonas, que terá atuação prioritária durante a Curuquetê 2. As ações do Estado vão ocorrer em conjunto com as Forças Armadas para alcançar, sobretudo, as áreas federais, que reuniram 79% dos alertas de desmatamento de janeiro a maio de 2020.