Grande recife de coral oculto é descoberto na foz do rio Amazonas
Recife ocupa área de 9.300 quilômetros quadrados e fica a entre 30 e 120 metros de profundidade
Cientistas descobriram um grande recife de coral na foz do rio Amazonas, que está entre a fronteira da Guiana Francesa com o Estado do Amapá e que se estende até o Pará. A informação é da agência EFE, publicada pela versão brasileira do El País. Confira a matéria aqui Confira a matéria aqui .
Segundo a reportagem, a equipe de pesquisadores, liderada por Rodrigo Moura, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explorou a região, pouco conhecida, em três expedições oceanográficas, feitas em conjunto por Brasil e EUA.
O recife ocupa uma área de 9.300 quilômetros quadrados — cerca de 20% maior que a região metropolitana de São Paulo — e fica a entre 30 e 120 metros de profundidade, numa zona de água turva.
No percurso, os estudiosos identificaram uma grande região de algas coralinas e alto nível de partículas em suspensão, características geradas por condições diferentes das que formam os típicos recifes tropicais de coral. As características desse sistema são diferentes das conhecidas até agora, e “sua saúde fornece informações sobre como os ecossistemas de coral podem reagir à aceleração do aquecimento global”, destacam os pesquisadores.
No estudo, os cientistas alertam que o desenvolvimento em escala industrial do Amazonas, com perfurações para extrair petróleo perto dos recifes, pode representar um grande desafio para esse sistema, que é único.
Reportagem do blog do Herton no Estadão afirma que a descoberta foi relatada na revista Science Advances Science Advances . Segundo a matéria, os cientistas já suspeitavam há algum tempo que poderia haver recifes ocultos na foz do Amazonas, por conta de algumas coletas pontuais, feitas anteriormente por pesquisadores americanos, e da alta produtividade da pesca regional de lagosta, pargo e outras espécies marinhas naturalmente associadas a ecossistemas recifais.
Ainda assim, conta a matéria, quando puxaram as primeiras redes de coleta para cima do convés, não acreditaram no que viram: uma enorme abundância de esponjas coloridas, corais e rodolitos — nódulos calcários construídos por algas coralináceas, também presentes em outros grandes ecossistemas recifais, como os da região de Abrolhos, no sul da Bahia. Um único arrasto chegou a coletar 900 quilos de esponjas, de 30 espécies diferentes.
Para o blog, os cientistas expressaram preocupação com o recife. Isso porque a costa norte do Brasil é uma das principais fronteiras do País para exploração de petróleo e gás, e centenas dos blocos exploratórios leiloados nos últimos anos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) estão exatamente sobrepostos à área de ocorrência desses ecossistemas— que não são mencionados nos estudos de impacto ambiental dos empreendimentos (ver mapa na galeria). Confira a reportagem do Estadão Confira a reportagem do Estadão .