Madeira manejada da Amazônia pode firmar Brasil como fornecedor mundial
Para o pesquisador do Inpa, Niro Higushi, manejo sustentável representa um modelo de exploração racional e contribui para a permanência das árvores ‘em pé’.
Os principais abastecedores de madeira no mundo estão desaparecendo. Suas reservas estão no fim e a Amazônia está praticamente intacta. Este quadro é a chance do Brasil se firmar como o novo fornecedor de madeira tropical sustentável para esse mercado, mas essa oportunidade tem de ser feita com cuidado.
A análise é do pesquisador Niro Higushi, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que durante quatro anos estudou a situação do manejo florestal no Amazonas. “Apesar do desmatamento, cerca de 80% da floresta ainda está preservada”, comentou.
O projeto coordenado por Niro Higushi foi encerrado recentemente e divulgado nesta semana pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), uma das instituições financiadoras em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq).
De acordo com o pesquisador Niro Higuchi, as ações atuais de desmatamento estão sempre relacionadas a questões econômicas. Ele explica que quando a economia está muito aquecida a pressão sobre a floresta aumenta, principalmente para a implantação de projetos agropecuários.
“Estamos vivendo um momento de crise mundial. Apesar da economia nacional estar bem aquecida, ainda hoje é possível ver altos índices de áreas desmatadas e a falta de ações estruturantes ajuda a alimentar essa problemática”, revelou o pesquisador.
Niro Higushi explica o manejo sustentável representa um modelo de exploração racional sobre os elementos naturais priorizando sempre a permanência das árvores ‘em pé’.
O manejo sustentável é, segundo os especialistas, a melhor solução para a exploração racional de madeira e outras riquezas não madeireiras da floresta.
Estudos apontam que uma floresta bem manejada continuará a oferecer riquezas para as gerações futuras, pois ela faz parte dos recursos renováveis. O bom manejo implica numa exploração cuidadosa, com impacto ambiental reduzido para permitir com isso que a floresta se regenere.
Carbono
Durante a pesquisa foram feitos experimentos para agregar o valor do carbono à madeira. O pesquisador, junto com equipe, realizou medições do carbono como serviço ambiental fazendo a precipitação média anual e a variável meteorológica para o setor florestal da Amazônia.
O estudo detectou que a temperatura média anual varia pouco dentro da Amazônia Legal, apenas 8%.
O crescimento e o incremento das árvores amazônicas apresentam correlações significativas com a precipitação (chuvas). Apenas o crescimento e incremento não são suficientes para determinar se a floresta está usando ou emitindo carbono.
“Na escala regional, a falta de chuvas tem contribuído com o aumento da mortalidade das árvores amazônicas, já na escala de comunidades, é o excesso de chuvas que mais contribui para o aumento da mortalidade”, explicou.
Pronex
O projeto contou com a participação de 17 pesquisadores, sendo sete do Inpa, cinco do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP) e cinco da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Esse programa, desenvolvido em parceria com o CNPq, consiste em apoiar, com recursos financeiros, grupos de alta competência que possam contribuir para o processo de difusão e popularização da CT&I no Estado do Amazonas.