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A Crítica
Meio Ambiente

MPF processa ex-cacique por garimpo ilegal em terra indígena

Ação aponta mineração clandestina na Terra Indígena Tenharim Marmelos e pede recuperação ambiental e indenizações

Publicado em 26/05/2026 às 15h22
MPF processa ex-cacique por garimpo ilegal em terra indígena
Foto: Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública contra o ex-cacique Irineu Tenharin e o gerente de garimpo Valdemar Raimundo dos Santos por danos causados pela mineração ilegal de ouro e cassiterita na Terra Indígena Tenharim Marmelos, no sul do Amazonas. A área fica entre os municípios de Manicoré e Humaitá.

Na ação, o MPF pede a recuperação integral da área degradada e o pagamento de indenizações por danos materiais e morais coletivos.

Segundo o órgão, relatórios técnicos da Polícia Federal (PF) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), produzidos durante a Operação Intruso, apontaram que a atividade ilegal ocorreu de forma contínua entre 2020 e junho de 2023.

As investigações identificaram a destruição de aproximadamente 108,3 hectares de floresta nativa, além de impactos em rios e nascentes utilizados pelas comunidades indígenas da região.

De acordo com o MPF, garimpeiros conseguiram acesso à terra indígena após um acordo com o então cacique da comunidade.

Em depoimento à Polícia Federal, ele teria admitido que autorizou a entrada de máquinas e trabalhadores na reserva em troca de 10% sobre o minério extraído.

Já Valdemar Raimundo dos Santos foi flagrado durante fiscalização coordenando frentes de mineração mecanizada e morando no acampamento principal do garimpo.

O Ibama aplicou três autos de infração ambiental contra ele, somando R$ 3 milhões em multas.

Ainda conforme a investigação, o gerente seria responsável pela logística da extração ilegal e pelo repasse de valores ao líder indígena.

Na ação, o MPF afirma que os impactos vão além da destruição ambiental.

Segundo o órgão, a presença dos garimpeiros também provocou conflitos internos e afetou os costumes e a organização tradicional do povo Tenharim.

O processo foi apresentado pelo 2º Ofício da Amazônia Ocidental, especializado no combate à mineração ilegal.

Além da recuperação ambiental, o MPF pede que os réus sejam condenados a apresentar e executar um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad), sob pena de multa diária em caso de descumprimento.

O órgão também solicita indenização de R$ 3 milhões por danos materiais e mais R$ 1 milhão por danos morais coletivos, sendo R$ 500 mil atribuídos individualmente a cada réu.