Sthorm Festival Maués debate ciência e sustentabilidade na Amazônia
Evento internacional, realizado na praia da Ponta da Maresia, reúne cientistas, empresários e gestores locais, que discutem soluções para problemáticas da região
MAUÉS – Conhecida como a Terra do Guaraná, a cidade de Maués (a 267 quilômetros de Manaus) sedia neste sábado (7) a segunda edição do Sthorm Festival, evento que promove uma agenda de debates sobre sustentabilidade e ciência em nível global.
Entre os nomes que participam dos debates estão: Bob Richards, cofundador da Space University e da Singularity University; Scott Bagby, cofundador do Skype; Sue Ann Clemens, professora de Saúde Global, Vacinologia e Doenças Infecciosas Pediátricas na Universidade de Oxford; Fábio Calderaro, ex-gestor do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA); Marina Domenech, CEO da Intrigas Clinical Research; entre outros.
Para encerrar o evento, o baterista Matt Sorum (com passagens pelas bandas Guns N’ Roses e Velvet Revolver, dos EUA) fará uma apresentação musical ao lado da cantora baiana Agnes Nunes. Sorum é um dos sócios da Sthorm, empresa que desenvolve soluções digitais e sustentáveis para resolver problemáticas do cotidiano.
O evento, na icônica praia da Ponta da Maresia, é aberto ao público, que começou a chegar no fim da tarde.
Um dos fundadores e CEO da Sthorm, Paulo Lobo, explicou que a empresa surgiu há cerca de 15 anos com a proposta de desenvolver soluções de impacto social acima do lucro. A ideia de juntar gestores, cientistas, ativistas e artistas veio depois, em encontros inicialmente realizados a portas fechadas nos idos de 2013 e só ganhou maiores proporções neste ano, com uma primeira edição em Piracicaba (SP).
“Esse evento começou na minha casa. A ideia era tirar um dia do ano para motivar todo mundo (da Sthorm)”, disse Lobo.

Um dos fundadores e CEO da Sthorm, Paulo Lobo durante o Festival (Junio Matos)
“A gente trabalha com um time de um monte de gente bacana que tenta criar soluções para problemas globais, como saúde, o planeta, mudanças climáticas, educação. Então, é difícil você manter esse monte de gente motivada o tempo inteiro se não tem muita grana para competir com a indústria. A gente não é filantropia , mas também não é uma empresa que só busca lucro; é super complexo, um modelo diferente”, acrescentou o CEO da Sthorm.
“Então o Matt (Sorum), que é meu sócio, ele propôs que a gente fizesse um encontro do time com os fundadores para motivar todo mundo”, complementou.
A proposta de trazer o evento para Maués surgiu após Pablo Lobo conhecer o prefeito da cidade, Júnior Leite (União), em outro evento sobre sustentabilidade.
Lobo disse ter ficado encantado com a história de Maués, das atividades sustentáveis desenvolvidas na região e afirma que futuramente pretende fazer outra edição do festival na cidade.
“Acaba que a gente veio mais para aprender com as soluções que a própria população daqui oferece. A gente quer impulsionar”, disse Lobo, ao citar o trabalho de manejo que os ribeirinhos fazem do seu território, que ele comparou às chamadas agroflorestas, e da cultura do guaraná, creditado como um dos principais fatores da taxa de longevidade em Maués, uma das maiores das Américas.
O prefeito Júnior Leite disse que essa é uma semente que está sendo plantada. A pretensão de Leite é que Maués se torne a capital amazônica da sustentabilidade.
“Aqui, estamos falando das necessidades, das nossas cadeias produtivas, os desafios de promover saúde, educação e preservação, a preservação efetiva que é nossa. Não só da floresta, mas também do homem”, disse Leite.
“A gente uniu esse propósito e resolveu fazer essa edição do Sthorm no centro da Amazônia, no interior do Estado, para poder falar daqui de dentro da Amazônia para fora, para que nos ouçam, para que sintam o que a gente sente. Aqui tem a união de grandes cabeças da economia, da bioeconomia, da ciência, da tecnologia que, de forma transversal, a gente pode desenvolver inúmeros produtos e soluções para o interior da Amazônia”, disse o prefeito.
Na abertura do evento, Leite ressaltou que não se trata de uma festa, ainda mais considerando a situação que o Amazonas vive de emergência ambiental por causa da seca e das queimadas.
Alinhado ao discurso do governador Wilson Lima (União), Júnior Leite disse que o povo amazônida deve ser protagonista no debate sobre conservação e sustentabilidade na região.
“Não haverá sustentabilidade com árvore de pé se o caboclo ribeirinho estiver com fome”, declarou.
Wilson Lima não pôde participar do festival por conflito de agenda, ele foi representado pelo secretário Eduardo Taveira (Meio Ambiente). Em vídeo, Lima saudou os participantes e fez uma declaração.
“A gente tem acompanhado o que aconteceu no mundo afora com relação às mudanças climáticas. Aqui no Estado do Amazonas, especificamente, nós temos o processo que é natural de subida e descida dos rios. Mas o que tem nos assustado muito são os eventos extremos. Recentemente, nós tivemos a maior cheia de todos os tempos e agora nós estamos tendo uma das secas mais severas secas de toda a história do Amazonas. Nós estamos trabalhando para minimizar esses impactos. Estamos trabalhando muito para que episódios como esse não avancem cada vez mais. Daí a necessidade que cada um tenha consciência do seu papel nesse processo”, disse Lima.
“Muita gente fala da floresta, mas só conhece a copa das árvores e desconhece as suas verdadeiras raízes. São as suas populações e, junto com a floresta, o mais importante é que elas precisam ser preservadas. Daí a necessidade da gente caminhar com o que é básico para o povo que mora aqui. Hoje, aqui em Maués, nesse evento, nós temos a possibilidade de discutir com o mundo alternativas, caminhos que podem ser seguidos para promover o desenvolvimento e, ao mesmo tempo, preservar a floresta, preservar os nossos recursos naturais”, acrescentou.

Público compareceu ao festival que acontece neste fim de semana em Maués (Junio Matos)
Sobre o festival
O Sthorm Festival Maués tem como tema “Ciência e Sustentabilidade na Amazônia”. O evento é realizado pela Sthorm e pela Prefeitura de Maués, com apoio do Governo do Amazonas. A produção é da Ekco Produções.
*Os repórteres viajaram a convite da organização