Sábado, 28 de Novembro de 2020
CINEMA

‘Segredos de Putumayo’: filme tem estreia adiada devido pandemia

Novo documentário do cineasta Aurélio Michiles será exibido no festival ‘É Tudo Verdade’



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06/04/2020 às 16:28

Filmado entre os índios Uitotos, Boras, Ocainas e Muinames, o novo documentário do cineasta amazonense Aurélio Michiles, ‘Segredos do Putumayo’, estava prestes a ser exibido no festival ‘É Tudo Verdade’, mas por conta da pandemia do novo coronavírus, teve de ser adiado. 

Com a nova data de estreia, marcada para setembro deste ano, Michiles conta que poderá finalizar a obra com ainda mais cuidado aos detalhes.



Baseado no ‘Diário da Amazônia de Roger Casement’ (1910), o documentário revela o dia-a-dia na região do rio Putumayo, onde mais de 30 mil índios foram mortos em regime de escravidão pela empresa Peru Amazon Company, para coletar 4 mil toneladas de borracha. 

O documentário conta com dois atores distribuídos no papel principal de Roger Casement: Dori Carvalho, que gravou a cênica do personagem; e o irlandês Stephen Rea, que gravou a voz de Roger. Confira a entrevista exclusiva, a seguir, com o diretor:   

Você comentou que a obra "Segredos do Putumayo" ainda não está pronta. Em decorrência desta pandemia, há previsão de quando deve ser finalizada? 

Estávamos trabalhando, como se diz, “em toque de caixa”, sob a urgência de uma data específica para entregarmos o filme que seria exibido no Festival “É Tudo Verdade/It’s All True”. Como foi adiado para setembro por causa da pandemia, agora estamos com tempo para finalizarmos com  mais cuidado nos detalhes. Pela estimativa de finalização, até o dia 15 de abril teremos o filme pronto.

Como surgiu a ideia do documentário? 

Ao realizar o documentário “A Árvore da Fortuna” (1992), sobre a saga da borracha na Amazônia, e “O Cineasta da Selva” (1997), me deparei pela primeira vez com um intrigante personagem: Roger Casement (1864-1916), um irlandês na Amazônia. Finalmente, foi por causa destes dois documentários que o historiador britânico Angus Mitchell, na época morando no Brasil, presenteou-me com o diário “The Amazon Journal of Roger Casement”, que havia sido editado por ele. Depois deste encontro, Roger Casement deixou de ser para mim apenas um irlandês, mas um cidadão do mundo. Um humanista e revolucionário que entregou o corpo e a alma pela autodeterminação do seu país, mas também por defender e denunciar o perverso sistema de trabalho ao qual eram submetidos os povos da África e da América do Sul, na coleta da borracha. Desde então, sobretudo nos últimos quatro anos, venho desenvolvendo em colaboração com o historiador Angus Mitchell, a realização desse documentário.

Quando iniciaram as gravações e o que já foi gravado?

Começamos em abril 2019 em La Chorrera – Colômbia, em maio nos arredores do Rio Negro-Manaus e agosto no estúdio em São Paulo, mas recentemente (Fevereiro) em Dublin, gravei com o ator irlandês Stephen Rea, a voz de Roger Casement. Tudo que havia sido previsto já se encontra gravado, estamos agora em finalização.

Quantas pessoas estão envolvidas no projeto? 

Uma produção de audiovisual, por mais modesta que ela seja, acaba envolvendo um número significativo de profissionais que trabalham direta e indiretamente no projeto. No caso dos “Segredos do Putumayo”, que é um documentário, você trabalha com bibliotecários, colecionadores, museólogos, pesquisadores acadêmicos, este integram aquela face invisível de colaboradores. Por outro lado, você tem o pessoal da pesada, são aqueles que se encontram no campo da produção e da finalização, estes somam uns 40 profissionais.

Qual a principal mensagem que você pretende passar neste documentário?

Um sentimento de justiça. Revelar fatos obscuros sobre a História dos povos indígenas da Amazônia, sobretudo o quanto é importante os Direitos Humanos, é uma conquista que devemos defender de todas formas.

Qual a importância do Festival "É Tudo Verdade"? 

O Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade/It’s All True, está comemorando uma data redonda, 25 anos, ao longo desses anos ele se tornou num dos eventos mais importantes para a produção de filmes-documentários no mundo. E estar concorrendo e exibindo “Segredos do Putumayo” neste festival é uma oportunidade excepcional para dar visibilidade ao filme.   

Como está sendo este período de quarentena para você? 

O planeta se encontra recolhido, este é o momento de aprendizado e reflexão. Pessoalmente, estou aproveitando para interagir mais com a minha família e também assistindo e reassistindo filmes, lendo, pesquisando para o meu próximo projeto ainda sem título, mas posso te adiantar que desta vez não será um documentário, será a primeira investida autoral num filme de ficção como diretor e que tem a Amazônia como personagem.

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