Terça-feira, 31 de Março de 2020
ORGULHO DE SER AMAZONENSE

A Grande Família inicia desfile com malocas dos primeiros habitantes

Comissão de Frente trouxe malocas que se transformaram em versão hi-tech na passarela do samba



23/02/2020 às 02:05

O orgulho de ser manauara e a exaltação às riquezas naturais e os símbolos de Manaus foram os motes da escola de samba A Grande Família para este ano no desfile na madrugada deste domingo (23).

Com o enredo “Sou Manauara há 350 Anos Sentindo Orgulho do Meu Chão”, a agremiação entrou na pista do Sambódromo, na Zona Centro-Oeste de Manaus, à 1h35, para mostrar 23 alas e três alegorias totalizando cerca de 3.500 integrantes.



Um primeiro módulo alegórico acompanhou a comissão de Frente da Grande Família, e trouxe 3 malocas que se transformam durante a apresentação da coreografia. Iniciaram como malocas indígenas e se transformaram em malocas hi-tech, simbolizando a evolução do povo amazonense com os primeiros donos da terra.

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Já as baianas deste ano da escola da Zona Leste foram denominadas “Rio Negro e Solimões – A Beleza do Encontro das Águas”, simbolizando o fenômeno natural. Os fatores para isso ocorrer na região variam desde questões geológicas, climáticas, termais ou até mesmo o tamanho ou a acidez dos rios.

O mais famoso encontro das águas está localizado na frente da cidade de Manaus, entre os rios Negro e Solimões, sendo uma das principais atrações turísticas da capital amazonense.

O carro abre-alas veio belíssimo: “Da Busca ao Eldorado se Fez a Paris dos Trópicos”, ele representou que, durante séculos, diversas expedições partiram ao coração da grande floresta em busca das riquezas descritas na lenda do El Dorado. E foi a partir das expedições exploratórias que o “Cariúa” [europeu] chegou em territórios indígenas, até então desconhecidos. O contato do homem branco com o índio trouxe diversas mortes e escravizações indígenas, e várias tribos foram dizimadas. O carro trazia um gigantesco índio com braços que se movimentavam atrás de três serpentes imensas e outro diferencial: 40 homens e mulheres fantasiados de indígenas e cirandeiros.

Tons em dourado predominaram no carro abre-alas. Ao fundo havia um gigantesco Teatro Amazonas, com uma cúpula verde e amarela.   Um tripé da agremiação da Zona Leste chamou a atenção por simbolizar um antigo bondinho verde e amarelo, a la Belle Époque manauara. O veículo conduziu donzelas que abriram leques para "espantar o calor".

A bateria, comandada pelo Mestre Luciano, leva o nome “O Largo de São Sebastião e Suas Pedras Portuguesas”: a roupa dos ritmistas era preta e branca lembrando o Largo, um dos cartões-postais da capital amazonense.

A bateria teve como destaque, à frente do setor, a Rainha de Bateria Arleane Marques que trouxe a fantasia “Abertura dos Portos aos Quatro Cantos do Mundo", lembrando o monumento existente na praça de São Sebastião. A fantasia dela tinha as cores dourada com pedrarias prata, com esvoaçantes plumas amarelas.

O segundo carro alegórico foi dividido em dois. A primeira parte trouxe uma embarcação regional com o nome “Comandante João Hildo", em homenagem ao pai do intérprete oficial Caçula Show – o genitor faleceu em 28 de dezembro do ano passado e era um dos fundadores e primeiros compositores e mestres de bateria.

A segunda parte da alegoria foi denominada “É Domingo, Dia de Ir ao Mercadão” representando o Mercado Municipal Adolpho Lisboa, mais conhecido como Mercadão de Manaus, que foi construído durante o ciclo da borracha com material importado da Europa. Sua estrutura em ferro fundido foi projetada pelo engenheiro francês Gustave Eiffel, o mesmo que projetou e deu seu nome à famosa Torre Eiffel. Com mais de 135 anos de história, foi inaugurado em 15 de julho de 1883, sendo um dos mais importantes espaços de comercialização de produtos e alimentos típicos da Amazônia, em função da variedade de espécies de peixes de água doce, artesanatos, frutas, legumes e especiarias.

Já o terceiro e último carro da escola levou o nome  “É Fevereiro... A Zona Leste Brilha... É Carnaval”, exaltando o motivo de orgulho do povo da Zona Leste que é a Grande Família. Orgulho esse que transborda na gente deste lugar quando se fala na Escola do Povo. A vermelho e branco da Zona Leste carrega consigo muito das tradições, garra e história de superação deste povo guerreiro, pois ela também rompeu barreiras, derrubou preconceitos e venceu para se tornar uma das maiores escolas de samba da cidade. E assim, cada folião canta com orgulho de ser da Grande Família, do São José e de Manaus. A alegoria trouxe um gigantesco Galo, símbolo da escola de samba, alem de pierrôs e colombinas.

O terceiro e último carro da escola levou o nome “É Fevereiro... A Zona Leste Brilha... É Carnaval”, exaltando o motivo de orgulho do povo da Zona Leste que é a Grande Família. E contando com um gigantesco Galo, símbolo da escola de samba, além de pierrôs e colombinas.

A agremiação encerrou sua apresentação com uma apoteose da bateria, para delírio da torcida da Zona Leste que se posiciona tradicionalmente na ferradura do Sambódromo! Festa, aplausos e alívio com o tempo de desfile: 01h10min sem sustos! Com DNA do samba!

Repórter de A Crítica

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