Sábado, 06 de Junho de 2020
ADAPTAÇÃO

Após caso confirmado, comércio manauara se adequa à crise do coronavírus

Lojas, academias, restaurantes, salões de beleza e supermercados de Manaus reforçam medidas de higiene para clientes



COMERCIO_73C91052-8391-4E5F-BB4C-2E8328435F84.JPG Foto: Aguilar Abecassis
16/03/2020 às 07:27

Diante da expansão do coronavírus (Covid-19), com o primeiro caso confirmado em Manaus, lojistas adotam medidas de segurança para evitar a disseminação do vírus. Intensificar a higienização de equipamentos, locais e pessoas e a disponibilização de álcool em gel são algumas das orientações repassadas pela Federação do Comércio do Estado do Amazonas (Fecomércio AM) e associações empresariais.

Desde a última quarta-feira, todos os profissionais do salão Sempre Bella, no Vieiralves, utilizam máscara e cadeiras, poltronas e lavatórios são higienizados três vezes ao dia, segundo a proprietária Mishelly Coelho. “Temos uma circulação muito grande de pessoas dentro do salão diariamente e os profissionais ficam muito próximo das clientes. São medidas de segurança para os profissionais e clientes”, explicou.



A empresária disse que caso seja necessário, com o registro de novos casos do Covid-19, será montado uma escala com o revezamento dos funcionários.

A Associação dos Empresários do Vieiralves (AVE) divulgou recomendação aos associados, cerca de 80, para que adotem postura de cautela e prevenção e ampliou o acesso às orientações do Ministério da Saúde. Segundo a presidente da AVE, Adlinez Moreno todos os horários e atividades de funcionamento estão mantidas.

“O comércio precisa girar, as pessoas precisam sair de casa e adquirir produtos e serviços. Temos o fator positivo por ser lojas de ruas. Não são grandes ambientes fechados e conseguimos atender os clientes com mais exclusividade e sem aglomerações”, disse a empresária.

Adlinez relatou que na Zen Maison, loja da qual é proprietária, além do álcool em gel e sabonete para limpeza das mãos, a recomendação é que os colaboradores mantenham a recepção das clientes com um sorriso, mas sem apertos de mão ou abraços.

Alimentação

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Amazonas (Abrasel), Fábio Cunha, afirmou que um e-book foi distribuído a todos os associados e colaboradores reforçando os cuidados na manipulação dos alimentos e outras diretrizes. A expectativa do empresário é que a propagação do vírus não apresente a mesma evolução como em outras cidades do Mundo e que não seja necessário adotar a distância mínima de um a dois metros da organização das mesas.

“Tenho fé de que o coronavírus não afete Manaus como afetou as cidades da Europa e da China. Que as pessoas busquem informações corretas. Temos que usar da experiência que o mundo inteiro já vive para administrar isso da melhor forma. Pânico, não nos traz benefício nenhum, e tomar medidas extremas não vai ajudar em nada”, afirmou o empresário.

Supermercados da capital, como Nova Era e Atack, publicaram nas redes sociais anúncio informando o reforço nos cuidados de limpeza de carrinhos e cestas de compras, áreas de caixas e espaços de lanchonetes, além de dispensers com álcool em gel em lugares estratégicos das lojas.

Análise

O presidente em exercício da Fecomércio AM, Aderson Frota, avalia que, apesar do pânico em relação ao coronavírus, a obrigação é evitar o avanço da epidemia e informações e adoção de práticas de proteção à saúde não são demais. Ele pondera que haverá retração no comércio, mas minimiza os impactos em virtude da redução do número de novos casos diários de Covid-19 na China e disse ainda que em breve o Brasil irá controlar a epidemia.

“Não vamos viver esse momento de férias coletivas, redução de horários. Acho que nós não vamos ser atingido num grau que possa gerar uma série de restrições. Estamos na fase dos cuidados, que são pertinentes, orientações, recomendações específicas. Não é o caso de alarde, pânico e nós não vamos ser atingidos de forma intensa por essa epidemia”, declarou.

Destaque

O Ministério da Economia reduziu de de 2,4% para 2,1%  o crescimento do Produto Interno Bruto, soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia, em 2020. De acordo com o governo, a revisão para baixo está relacionada com os efeitos do coronavírus na economia mundial e, consequentemente, no Brasil.

Blog: Wallace Meirelles - Economista

“A nossa taxa de crescimento está baixíssima, de três ou quatro anos, e vem declinando. No Brasil, a questão já se arrastava há um tempo. O governo Temer chegou e criou também algo que acaba sendo um limitador. Se por um lado você tem a ideia de que o teto de gastos é importante, mas foi feito a toque de caixa. Pouco planejamento acaba centrando nas classes média e baixa o grande peso desse teto de gastos. Estamos vivendo uma crise, não somente derivada do coronavírus, que vai ser aprofundada mais. E o governo está patinando. Faltam políticas econômicas, as políticas sociais estão muito abaixo e não vejo nada que possa estar estimulando, no curto prazo, a demanda agregada. Fala-se em reformas, mas são de longo prazo e no bojo dela não tem itens que considero tão relevantes que possam estimular a médio prazo a própria economia. Paulo Guedes está anunciado medidas para amenizar o avanço do coronavírus ainda é muito pouco para um país que precisa de políticas mais fortes para curto prazo seja ela monetárias, em cima até do câmbio. A Zona Franca estimula muito outros mercados muito mais que o seu mercado interno no Amazonas. Os municípios do interior ficam à margem da grande demanda que a própria Zona Franca faz para si mesma. Não se tem políticas de curto prazo, de longo prazo conjunturais, estruturais e não podemos viver assim”

Prevenção e higiene nas academias

O gestor da academia Performance Prime, Marcos Medeiros, afirmou que a primeira medida de segurança adotada pela empresa foi reforçar as orientações de prevenção ao coronavírus aos funcionários e prestadores de serviço, personal trainer. Ele frisou ainda que a higienização com álcool em gel 70 % aumentou em 10 vezes.

“Temos um padrão de limpeza muito rígido e quem vai utilizar a máquina limpa, o personal limpa a máquina e o peso. E a equipe de limpeza também. Já compramos 10 borrifadores de álcool e na segunda (hoje) mais 10.  Antes do coronavírus já tínhamos essa cultura em função da gripe. Apenas reforçamos porque os nossos clientes muitos são médicos e seguimos a orientação dos profissionais.  Estamos tomando todas as precauções”, declarou.

Marcou disse que até o momento o uso de máscara está sendo dispensado e a recomendação aos profissionais é evitar contato físico, principalmente, aperto de mão. Segundo o gestor, nos últimos dias não foi registrado queda do movimento, pelo contrário aumentou a procura pelo estabelecimento que funciona 24 horas no bairro Vieiralves. Ele declarou ainda que a academia descarta reduzir o horário de funcionamento.

O proprietário da academia Cagin, Taner Verçosa informou que o estabelecimento, localizada no Adrianópolis, está seguindo todas as medidas de segurança.

Comentário: Renato Franco de Moraes, advogado especializado em direito civil

 “Vejo  duas consequências distintas do coronavírus nas empresas. Primeiro são todas as restrições que a pandemia têm acusado no ambiente de trabalho. Pessoas estão deixando de ir trabalhar nos escritórios, governos estão impondo restrições de circulação, fronteiras estão se fechando e os estoques estão acabando. Existe uma figura jurídica que se chama força maior que se refere a eventos inevitáveis e imprevisíveis como inundação, grandes incêndios e terremotos.  Diante do tamanho e da repercussão do coronavírus é bastante viável a caracterização da força maior. Nessa situação, a empresa que descumpre um contrato não sofre consequências. Ele é encerrado, existe a devolução de eventuais valores recebidos, mas não existe o pagamento de juros e multas. Uma segunda repercussão diz respeito a efeitos mais econômicos. Falo, especificamente, da variação cambial maluca que aconteceu nos últimos dias. Isso pode tornar algumas prestações contratuais excessivamente onerosas para empresas cuja matéria prima ou produtos sejam montados a partir peças importadas do exterior. A alternativa é o que chamamos de onerosidade excessiva superveniente. Algo um pouco mais complexo e que permite também o encerramento do contrato, revisão ou readequação das parcelas contratuais.

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Repórter de A Crítica

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