Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
FOCOS

Fumaça densa foi causada por queimadas no baixo Amazonas e Região Metropolitana

Conforme secretário de Gestão Ambiental da Sema, coronel Denis Sena, 143 focos foram registrados em três dias. Manaquiri é o município mais afetado por incêndios em vegetações



fumaca_86A2B2BC-87F6-437D-9D91-324A99B2949F.jpg Foto: Winnetou Almeida
29/10/2018 às 14:19

Focos de queimada em municípios do baixo Amazonas e Região Metropolitana de Manaus resultaram na densa fumaça que cobria o céu da capital amazonense na manhã desta segunda-feira (29). Segundo o secretário adjunto de Gestão Ambiental da Secretaria do Estado de Meio Ambiente (Sema), coronel Denis Sena, uma massa de ar quente e úmida trouxe o fenômeno com mais intensidade.

"Essa fumaça ocorre em razão dos focos de queimadas em municípios do interior e entorno de Manaus que migrou e aqui ficou confinada, em razão do aquecimento dos alísios, que são ventos de leste para oeste. Essa concentração ocorre com mais forte nas primeiras horas da manhã e se dissipa ao longo do dia", explica.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), desde a última sexta feira (26) até domingo (28), foram registrados 143 focos de queimada em todo o Estado, sendo Manaquiri o município mais afetado por incêndio em vegetação.

“Nós observamos em cima disso, que há um processo natural de queimadas e outros focos são criminosos. Trabalhamos e estamos atuando em cima desses focos de queimadas criminosos, reprimindo, autuando e fazendo com que os infratores cessem as ações nesse período para que esse fenômeno não seja tão intenso como nos anos passados. Nós temos hoje um processo de controle em razão dos mapas de satélite e direcionamos nossas atividades pontualmente para os focos de calor quando detectamos via satélite”, afirma Sena.

Um total de 40 homens formam equipes mistas de instituições como Corpo de Bombeiros do Amazonas (CBMAM), Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Batalhão Ambiental, Polícia Civil, Defesa Civil e prefeituras municipais, estão em campo na ação de combate e prevenção às queimadas.

Focos de incêndio

Diferentemente dos anos anteriores, onde o sul Estado se destacava com o maior índice de focos de calor captados por satélites, este ano municípios da mesorregião do Centro Amazonense, como Manaquiri, Nhamundá, Maués e Presidente Figueiredo são os que mais concentram focos registrados.

De 1º a 29 de outubro, somente em Manaquiri, foram registrados 1521 focos pelo Inpe. Manacapuru aparece com 932; Itacoatiara 554; Rio Preto da Eva com 170 e Manaus registrou 159. Durante o mesmo período do ano passado, Lábrea somava 1.741, seguida por Itacoatiara com 495 focos, Manaus com 151; Manacapuru com 120 e Rio Preto da Eva somava 136.

Denúncia

O secretário enfatiza que as queimadas não são totalmente suprimidas por lei, entretanto a ação exige uma autorização expedida somente pelos órgãos ambientais sob rígido controle. Além disso, cultura da queima de folhas e resíduos também é outro fator que aumenta a poluição do ar.

“Nesse período o produtor rural utiliza muito o processo de queimada para limpar o pasto e esse tipo de atitude pode ser autorizada, mas muitas são feitas ao arrepio da lei, longe da vigilância do poder público causando prejuízos à sociedade”, lamenta.

Conforme a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), de janeiro a setembro deste ano, foram registradas em Manaus 278 denúncias de queimadas contra 302 do mesmo período do ano passado, o que sinaliza uma tendência a redução dos indicadores de queimadas na capital.

A população pode denunciar as ações criminosas através da linha verde 0800-092-2000, de segunda a sexta-feira, em horário comercial. Durante o período de verão intenso, quando se intensificam as ações de sensibilização, a Semmas disponibiliza todos os telefones da pasta, disponíveis no site semmas.manaus.am.gov.br para denúncias.

O denunciante deve indicar a autoria da queimada assim que registrada a queixa. Já em caso de incêndios em área verdes ou terrenos baldios, a recomendação é nunca agir sozinho e acionar o Corpo de Bombeiros.

Estiagem pode se prolongar

Conforme Denis, o amazonense deve se preparar para enfrentar mais calor e fumaça pelos próximos dias por conta dos efeitos meteorológicos intensos do fenômeno El Niño, que provoca secas mais rígidas em algumas regiões e chuva em outras.

“É um período que vai ter uma faixa de nuvens, é o que os técnicos informaram. Não há uma configuração que seja realmente ele, pode ser que este período de estiagem realmente se prolongue. Isso depende de algumas modelagens técnicas para chegarmos a este resultado. Não se pode afirmar categoricamente que seja o El Niño, isso demanda um estudo de pelo menos três meses para saber como vão se comportar as águas do oceano pacífico, mas pode ocorrer sim”, enfatiza Denis.

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