Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019
GREVE DOS PROFESSORES

Presidente do Sinteam explica reivindicações dos professores em greve

Reajuste de 15% reivindicado pelos grevistas faz parte de uma soma de perdas salariais acumuladas desde 2015, segundo Ana Cristina Rodrigues. Entenda



show_sinteam_22_457ED634-5E63-42DD-9FD0-D9058DD18487.JPG Foto: Arquivo/Ac
17/04/2019 às 21:03

Deflagrada na última segunda-feira (15), com o ato "Marcha das Sombrinhas", no Centro de Manaus, a greve dos professores da rede pública de ensino do Amazonas completou, nesta quarta-feira (17), três dias. Ainda sem acordos, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam), Ana Cristina Rodrigues, conversou com a reportagem de A CRÍTICA e explicou os principais pontos que os educadores reivindicam junto ao Governo do Amazonas.

Principal reivindicação dos grevistas, o reajuste de 15% na Data-Base dos professores se refere, segundo Ana Cristina, a um somatório de perdas salariais que os profissionais da Educação vêm acumulando desde 2015. Segundo Ana, Estudos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e números do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) revelaram que o profissional da Educação perdeu 13,53% no seu potencial de compra.



"São 9,6% de perda do potencial de compra do profissional da Educação acumulados desde 2015, que somados à perda do período entre 2018 e 2019 (3,93%), dá um total de 13,53%. Ou seja, ao pedirmos 15% de reajuste, estamos pedindo apenas a diferença de 1,47% de aumento real do nosso potencial de compra”, explicou a presidente.

Além dos 15%

Entre as outras pautas reivindicadas pelos grevistas estão temas como o atendimento do plano de saúde para os trabalhadores do interior; a ampliação do atendimento do plano de saúde para os aposentados; maior segurança nas escolas; auxílio-localidade; auxílio alimentação por turno; auxílio transporte para todos sem o desconto de 6%; enquadramento horizontal automático, com redução de quatro para três anos, além do enquadramento vertical imediato.

O Governo do Amazonas oferece 3,93% e anunciou que vai cumprir progressões verticais e horizontais. Todas as pautas, no entanto, estão travadas, segundo Ana.

Assédio Moral

A presidente do Sinteam comentou ainda sobre atos de assédio moral sofridos pelos profissionais que aderiram à greve, vindos da Secretaria de Estado de Educação (Seduc). Conforme Ana Cristina, além de estar proibindo os professores grevistas de entrarem nas dependências das escolas, a Seduc está instruindo as coordenadorias distritais a marcarem como faltosos os professores que não estiverem dando aula, retirando, inclusive, a possibilidade de reposição das aulas.  

Questionada, a Seduc negou, por meio de nota, a proibição da entrada dos professores nas escolas e alegou que a greve foi considerada judicialmente ilegal, o que justificaria a aplicação de faltas aos professores que continuam no ato. Confira a nota da Seduc na íntegra.

“A Secretaria de Estado de Educação (Seduc-AM) informa que não há uma determinação de proibição por parte da secretaria para que os movimentos adentrem as escolas da capital e do interior. No entanto, na segunda-feira (15/04), a decisão do desembargador Elci Simões de Oliveira, considera tanto as ações de greve do Sinteam quanto da Assprom Sindical ilegais. Dessa forma, a decisão da Justiça traz o entendimento que inviabiliza as ações dentro de escolas em funcionamento, uma vez que caracterizou a greve como ilegal. Vale ressaltar que até a Justiça se manifestar, as ações dos movimentos de representações estavam ocorrendo normalmente dentro das escolas. Quanto às denúncias de que há gestores intimidando professores, a Seduc-AM ressalta que também não há orientações aos gestores para que mostrem fotos ou pratiquem qualquer ato que configure assédio. Cada gestor tem a liberdade de dialogar com professores, pais e responsáveis no entendimento de que é necessário manter as aulas, conforme determinou a Justiça.”

A reportagem também procurou o coordenador-financeiro do Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom Sindical), Lambert Melo, pelo telefone (92) 91XX-XX17, mas não obteve sucesso no contato. A Asprom também negocia com o governo, em paralelo ao Sinteam.

Nesta quarta-feira, o Governo do Amazonas, em reunião com representantes da Asprom Sindical, afirmou que dificuldades financeiras e legais impedem o Executivo de atender os pleitos dos professores.

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Repórter de A Crítica

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