Apuí e Boca do Acre ganham reforço contra queimadas
A escolha dos municípios não é casual. Apuí e Boca do Acre estão no mapa das áreas mais vulneráveis à estiagem, aos focos de calor e à cobrança nacional sobre desmatamento e incêndios florestais.
O governador Roberto Cidade escolheu dois endereços simbólicos para tentar se antecipar à próxima crise da fumaça no Amazonas. Apuí, a 453 quilômetros de Manaus, e Boca do Acre, a 1.028 quilômetros da capital, estão no mapa sensível do sul do estado, região onde a estiagem costuma transformar foco de calor em desgaste ambiental, sanitário e político. O anúncio da instalação de novas bases do Corpo de Bombeiros miram justamente esse território.
Epicentro – A escolha dos municípios não é casual. Apuí e Boca do Acre estão no mapa das áreas mais vulneráveis à estiagem, aos focos de calor e à cobrança nacional sobre desmatamento e incêndios florestais.
Reforço – A contratação de 153 brigadistas, prometida por Cidade, dá dimensão mais concreta ao discurso de prevenção. O contingente deverá ser deslocado principalmente para municípios do sul do Amazonas, onde os incêndios florestais costumam se concentrar no período seco.
Caixa – Com investimento estimado em R$ 4,7 milhões, anunciado pelo governador durante a EcoAmazônia, o Executivo Estadual tenta mostrar que não está tratando queimadas apenas com seminário, estande e boa intenção.
Alcance – Em um ano, a capilaridade do Corpo de Bombeiros do Amazonas mais que dobrou. Entre maio de 2025 e maio de 2026, a corporação passou de 11 para 24 municípios com bases permanentes ou grupamentos integrados.
Risco – O Amazonas aparece no pior ponto do mapa nacional quando o assunto é segurança passiva nas rodovias. Segundo recorte da Pesquisa CNT Rodovias, 74,7% das estradas avaliadas no estado têm baixo índice de “perdão ao motorista” (conceito usado para medir se a via ajuda a reduzir ou agravar as consequências de um acidente).
Contraste – O dado, divulgado pela Folha de S. Paulo, chama ainda mais atenção porque o Amazonas teve apenas 989 quilômetros de rodovias avaliados, menos de 10% da extensão analisada em São Paulo, onde foram examinados quase 11 mil quilômetros.
Estrutura – O índice da Confederação Nacional do Transporte leva em conta elementos que podem salvar vidas em caso de acidente, como acostamentos, defensas metálicas, barreiras, áreas livres de obstáculos e atenuadores de impacto.
Diplomacia – O Teatro Amazonas vai receber neste fim de semana as cores da Suécia. A iluminação especial marca os 200 anos das relações diplomáticas entre Brasil e o reino escandinavo, uma história que passa por cooperação política, econômica e cultural. A homenagem também lembra os 150 anos da visita de Dom Pedro II à Suécia, em 1876, primeira viagem oficial de um chefe de Estado brasileiro ao país europeu.
Amazônia – Para a cônsul da Suécia em Manaus, Gisélle Lins Maranhão, a Amazônia é hoje um campo estratégico para novas parcerias em inovação, bioeconomia e sustentabilidade. A Suécia já tem buscado presença regional, com exposições realizadas em Manaus e ação ambiental no Igarapé do Gigante.