Bolsonaro julgado e país dividido
O Datafolha registrou há um mês 48% a favor da prisão do ex-presidente e 46% contra, o que, pela margem de erro, representa um empate técnico. Duas semanas depois, já sobre a prisão domiciliar, o mesmo instituto mediu 51% de concordância e 42% de discordância
Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) abre as sessões que caminham para a condenação de Jair Bolsonaro, no âmbito da ação penal sobre um suposto plano de golpe de Estado, o termômetro da opinião pública aponta um país cindido. O Datafolha registrou há um mês 48% a favor da prisão do ex-presidente e 46% contra, o que, pela margem de erro, representa um empate técnico. Duas semanas depois, já sobre a prisão domiciliar, o mesmo instituto mediu 51% de concordância e 42% de discordância.
Ringue digital – No calor do julgamento, a guerra também é travada nas redes, com hashtags diametralmente opostas viralizando no X (antigo Twitter), inflamando narrativas e ampliando a batalha política. #BolsonaroFree x #BolsonaroCondenado duelaram durante toda a terça-feira. Num passado recente, hashtags como #EleNão e #EleSim tiveram papel decisivo em formar e confrontar mobilizações de rua.
Protesto – Aliás, em resposta ao julgamento, o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) reforçou a convocação para ato no dia 7 de Setembro, às 16h, na Ponta Negra. A movimentação mira manter a rua aquecida durante as sessões do STF. Ele classificou o processo como “farsa”.
Contraponto – O Partido dos Trabalhadores, por sua vez, também prepara ato no 7 de Setembro, em Manaus, a fim de rivalizar com a direita nas ruas. Recentemente, a sigla juntou sindicatos, partidos e movimentos sociais para articular a manifestação do próximo domingo, batizada de “Povo Independente é Povo Soberano”.
Revolta – Em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, a empresária Maria do Carmo Seffair, pré-candidata ao governo do Amazonas pelo PL, disse que o julgamento do STF “é marcado pela parcialidade, pela perseguição e pela tentativa de calar milhões de brasileiros”. “O circo foi todo armado e o STF está pronto para nos fazer de palhaços”, disparou.
Folhetim – Já o presidente regional do PL, Alfredo Nascimento, taxou de “vergonha” o julgamento de Bolsonaro. “Prenderam antes”, vociferou. Ao classificar a ação de “novela”, ele ironizou, dizendo que, daqui a pouco, a sessão do Supremo “estará disponível no Globoplay”. “Os grandes meios de comunicação estão ajudando nessa condenação”, acusou.
Indiferença – Do lado adversário, sem perder de vista os votos da direita, especialmente na capital, os senadores Eduardo Braga (MBD) e Omar Aziz (PSD) ignoraram o assunto em suas redes sociais. Braga, por exemplo, preferiu parabenizar a “Ciranda Tradicional”, campeã do último festival de cirandas.
Tributo – Em homenagem ao ex-deputado federal falecido Arthur Bisneto, a Prefeitura de Manaus inaugurou, ontem, uma escola municipal que leva o nome do ex-parlamentar. A unidade educacional fica localizada na comunidade 23 de Setembro, no bairro Lago Azul.
Participação – O ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (Republicanos), esteve presente na inauguração, acompanhado da esposa, Elisabeth Valeiko. Ao lado do prefeito David Almeida (Avante), ele posou para fotos e discursou em tom emocionado.