Bomba contra David
Aprovado por unanimidade, o relatório da comissão recomenda a reprovação integral das contas do Governo do Amazonas de 2017, e determina o envio do caso ao Ministério Público e ao TREAM, etapa que pode resultar em inelegibilidade.
A Comissão de Assuntos Econômicos da Assembleia Legislativa do Amazonas acendeu um pavio, ontem, cujo percurso da faísca segue em linha reta para o endereço político do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante). Aprovado por unanimidade, o relatório da comissão recomenda a reprovação integral das contas do Governo do Amazonas de 2017, e determina o envio do caso ao Ministério Público e ao TREAM, etapa que pode resultar em inelegibilidade.
Turbulência — Em 2017, o Amazonas teve três governadores no mesmo exercício: José Melo, David Almeida e Amazonino Mendes. A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) apontou irregularidades no período, como o uso de TACs ao invés de licitações, má gestão do Fundeb e pagamentos de indenizações fora da ordem cronológica.
Irregularidades — Nos meses em que David Almeida assumiu o governo interinamente, o relatório destaca uma desapropriação de R$ 10,5 milhões paga de forma imediata, além de gastos com publicidade institucional em período eleitoral, o que é proibido pela legislação eleitoral.
Caminho — O parecer aprovado segue agora para o plenário da ALE/AM. Com a perspectiva de ser referendado por maioria de votos, o relatório pode detonar de vez qualquer projeto eleitoral de David Almeida em 2026.
Termômetro — A votação na CAE foi presidida pelo deputado Carlinhos Bessa (PV) e teve como relator Wilker Barreto (Mobiliza). Participaram, com voto favorável, os deputados Rozenha (PMB), Alessandra Campêlo (Podemos) e Felipe Souza (PRD), que substituiu João Luiz (Republicanos).
Detalhe — O presidente da Assembleia, Roberto Cidade (União), rival declarado de David Almeida, fez questão de acompanhar a votação.
Alvo — Conforme apurou a coluna, o objetivo da investida dos deputados é, de fato, minar qualquer possibilidade do prefeito de Manaus se candidatar ao governo do Amazonas. A iniciativa tem peso político externo, de nome interessado na disputa.
Defesa — O relator do processo, deputado Wilker Barreto, negou interferência política. “O parecer é técnico”, disse, afirmando que todas as contas julgadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) são, posteriormente, analisadas pela Assembleia.
Teleguiado — Procurado, David Almeida disse ao SIM&NÃO que o parecer é político, não tem fundamento e foi produzido “por um deputado a serviço de alguém”. “Alguém este que iremos saber no ano que vem, ao apoiar um candidato ao governo”, afirmou. “Onde estiver esse deputado teleguiado, estarei do lado oposto.”
Disparo — David ainda sustentou que suas contas já foram julgadas e aprovadas pelo TCE, “que tem a capacidade de fazer as análises fundamentadas”. Segundo o prefeito, o parecer da CAE foi “escrito com o cotovelo”.
Nunca antes — Se a conta do exercício de 2017 for reprovada no plenário, vai atingir, além de David, o ex-governador José Melo e Amazonino Mendes, já falecido. A reprovação seria inédita na história da ALE/AM.