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A Crítica
Opinião

Cidade crê em ‘acordo’ e maioria

A “maioria absoluta” remete a uma engrenagem maior, que passa por entendimento com o senador Omar Aziz (PSD).

Publicado em 10/04/2026 às 09h03
Cidade crê em ‘acordo’ e maioria
Foto: Divulgação ALE-AM

Entre as regras traçadas para a eleição indireta na Assembleia Legislativa do Amazonas, duas convergem com a estratégia montada pelo governador interino Roberto Cidade (União): voto aberto e maioria absoluta na primeira votação. O “voto aberto” obriga os deputados a assumir o lado em que estão, o que reforça o acerto de Cidade com pelo menos 15 parlamentares, e dificulta manobras de última hora de líderes partidários. Já a “maioria absoluta” remete a uma engrenagem maior, que passa por entendimento com o senador Omar Aziz (PSD).

Problema –  Para ter “maioria absoluta dos votos”, ou seja, metade mais um, Cidade precisa que Omar Aziz saia de cena. Se Omar bater o pé e decidir participar da disputa, ele traz dificuldades para o projeto do governador interino. Uma articulação do senador, via Brasília e partidos aliados, atrairia ao menos 10 votos.

Permuta –  Omar, que não confirma participação no pleito, mas se movimenta intensamente nos bastidores, pode facilitar a vida de Cidade, mas deve cobrar a fatura na eleição de outubro, em troca de apoio e ajuda da máquina administrativa, para vencer Maria do Carmo ou David Almeida no segundo turno.

Equação –  Embora a Assembleia tenha 24 cadeiras, está em jogo na Eleição Indireta o total de 22 votos. Isso porque Roberto Cidade não poderá votar. Já o deputado Daniel Almeida, do Avante e irmão do ex-prefeito David Almeida, disse em rede social que não vai participar.

Dinheiro –  Como se viu esta semana, também estão em jogo os contratos milionários que empresas da família de Roberto Cidade mantêm com o governo do Estado. Há somas que chegam ao montante de R$ 300 milhões em um ano. Cidade mandou cancelar os contratos. E vai precisar que o próximo governador, que vencerá nas urnas, garanta a retomada dos pagamentos.

Vidência –  Ontem, ao comentar durante entrevista sobre a aprovação unânime da lei que definiu as regras para a Eleição Indireta, o presidente interino da Casa, deputado Adjuto Afonso (União), afirmou que, se a votação ocorresse “hoje”, Roberto Cidade teria a maioria dos votos. “Não teria dificuldade de ser eleito”, sustentou.

Trapalhada –  A vereadora Jacqueline Pinheiro (União) admitiu o embaraço ao assumir vaga deputada, como suplente de Cidade, na última segunda-feira (6), mas, em seguida, ter que deixar a cadeira. “Perceberam que houve um equívoco”, disse, acrescetando que, apesar de ser advogada, não é especialista na área eleitoral.

Bloqueio –  Conforme apuração da coluna, o pagamento de fornecedores do Estado entrou em compasso de espera após a saída de Wilson Lima e Tadeu de Souza do comando do Estado. Com o cofre no controle da gestão interina, as liberações foram restringidas a despesas consideradas essenciais.

Pressão –  A contenção acendeu alerta. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) entrou em cena e acionou a cúpula da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) para esclarecer o cenário e assegurar que o funcionamento dos poderes não seja comprometido.

Escolha  – A lista tríplice para a vaga da advocacia no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) foi encaminhada ao presidente Lula, a quem cabe a escolha final do novo integrante da Corte. Compõem a lista os advogados Kon Wang, Laura Santiago Lucas e Mário Marques da Costa.