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A Crítica
Opinião

Lula e o barco de luxo na COP

A embarcação usada por Lula e pela comitiva presidencial pertence a uma empresa de turismo sediada em Manaus: a Icotur Transporte e Turismo, ligada à família do empresário Orsine Jr.

Publicado em 07/11/2025 às 08h35
Lula e o barco de luxo na COP
Foto: Divulgação

O governo Lula colocou sob sigilo, até o fim do mandato, o contrato da embarcação de luxo que hospeda o presidente e a comitiva do petista durante a COP-30, em Belém, alegando “questões de segurança”. Até ontem, não havia registro do processo no Diário Oficial da União nem no Portal da Transparência. Segundo a Veja, “Lula e sua comitiva poderiam ter ficado hospedados num navio da Marinha”, entretanto, “o presidente considerou as instalações do barco militar inadequadas”.

Conexão — A embarcação usada por Lula e pela comitiva presidencial pertence a uma empresa de turismo sediada em Manaus: a Icotur Transporte e Turismo, ligada à família do empresário Orsine Jr. O barco – o Iana 3 – tem três pavimentos e está operando como um hotel flutuante.

Fatura — À Folha de S. Paulo, a Presidência afirmou que a proposta da empresa manauara foi a “mais econômica”. Cada pessoa hospedada no barco custa R$ 2.647 por dia. Segundo a Secretaria de Comunicação (Secom) do governo federal, a escolha levou em conta “segurança, logística e economicidade”. A embarcação consome mais de 100 litros de diesel por hora de navegação.

Artilharia — Esta semana, a oposição ao governo Lula aproveitou a fala do presidente sobre a operação contra o crime organizado no Rio de Janeiro, para disparar contra o petista. Durante entrevista, em Belém, Lula disse que houve “matança” e classificou a operação como “desastrosa”.

Rajada — O deputado federal Alberto Neto (PL) foi o primeiro a aproveitar o tema para criticar a fala. Num dos vídeos que gravou para rebater o petista, ele diz que “Lula gosta de passar a mão na cabeça de bandido”. Em outro, ele afirma que o presidente está “ao lado dos criminosos”.

Contramão — Pré-candidato ao Senado pelo PT, o ex-deputado federal Marcelo Ramos também gravou vídeos em suas redes sociais sobre o tema e, em tom que destoa de boa parte da esquerda, inclusive do próprio partido, disse que a polícia tem que “entrar sim” em território dominado pelo tráfico e, se for confrontada, “tem que atirar”. Segundo ele, “o criminoso lá de cima do morro não é vítima”.

Retomada — “Ninguém entra pedindo licença em território de gente que anda com metralhadora no meio da rua”, disse Marcelo Ramos. “Agora, o que não pode é entrar e sair, e deixar tudo como estava antes”, completou, em referência aos dias que sucederam a operação do Rio de Janeiro. “No dia seguinte, a boca estava funcionando no mesmo lugar.”

Reação — O presidente da OAB/AM, Jean Cleuter, se posicionou, ontem, em meio ao desenrolar da operação da Polícia Federal em Manaus, que mirou advogados que supostamente colaboravam com o Comando Vermelho. Segundo ele, a entidade irá avaliar “eventual abuso de autoridade”.

Salvaguardas — “Estamos vigilantes com relação às prerrogativas, todos os direitos da advocacia e também com relação a buscas e apreensões em escritórios”, afirmou Jean Cleuter, no meio da tarde de ontem.

Garantias — Em nota, a Polícia Federal disse que a ação foi acompanhada por representantes da OAB, “assegurando o estrito cumprimento das garantias legais”.