O velho e repetido script
Na edição de 1º de abril, o SIM&NÃO registrou nota da Associação de Amigos e Defensores da BR-319 que classificava como “papo furado” o anúncio de recuperação da rodovia em ano eleitoral.
Coube ao TRF-1 derrubar a decisão que invalidava os editais do Dnit para obras do “trecho do meio” da BR-319. A pergunta é: até quando a última decisão será mantida? Na edição de 1º de abril, o SIM&NÃO registrou nota da Associação de Amigos e Defensores da BR-319 que classificava como “papo furado” o anúncio de recuperação da rodovia em ano eleitoral. Ao citar a pendência do licenciamento ambiental, a entidade questionou: “Estão repetindo o roteiro de sempre para, depois, jogar a culpa na Justiça?”. O roteiro, de fato, se repetiu.
Previsível – O presidente da associação, André Marsílio, que havia apontado fragilidades nos editais do Dnit, disse que não houve surpresa na ordem de primeira instância. “Deram munição à ONG”, afirmou. “A pergunta que fica é: por quê insistir no mesmo roteiro, especialmente em pleno ano eleitoral de 2026?”.
Crítica – A coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, disse, no site da entidade, que o governo federal está tentando fazer um processo licitatório “semelhante ao utilizado para a compra de copos de plástico”. “Não somos contra a estrada, somos contra o desmatamento que ela trará, se não for executada em observância à lei”.
Revelação – No Senado, antes do TRF-1 suspender a decisão da Justiça Federal no Amazonas, o líder do MDB, Eduardo Braga (MDB), revelou que o escritório contratado pelo Observatório do Clima para mover a ação contra a reforma da rodovia tem, entre os sócios, uma filha da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. “É muito estranho”, comentou. “Estamos diante de uma holding de financiamento de um novo mercado”.
Contestação – O escritório Lopes, Ormay Jr & Silva Advogados, que tem como sócia Moara Silva, filha de Marina, afirmou em nota que as informações de Eduardo Braga são “absolutamente falsas”. Conforme a nota, nem o escritório nem a sócia foram contratados pelo Observatório do Clima para qualquer tipo de atuação, consultoria ou prestação de serviço jurídico, incluindo o processo sobre a BR 319.
Convite – Em tom de indignação, Braga ainda sugeriu durante sessão da Comissão de Assuntos Econômicos que a juíza federal que havia concedido a liminar anterior visitasse a BR-319. “Vai ver o que você está julgando”.
Disparo – Já senador Plínio Valério (PSDB) classificou o Observatório do Clima como “câncer” que “corrói a floresta amazônica por dentro”. Segundo ele, o modus operandi da organização está no relatório final da CPI das ONGs, que foi enviado à autoridades. “Mas as providências não foram tomadas”, lamentou.
Ofensiva – O senador Omar Aziz (PSD) sugeriu uma correição do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na 7ª Vara Ambiental e Agrária da Justiça Federal, de onde partiu a decisão assinada pela juíza Mara Elisa Andrade, contra os editais do Dnit. “Isso é uma brincadeira de mau gosto”. Ele também anunciou medida no STJ contra a ordem.
Temporada – Antes da decisão de primeira instância, a empresária e pré-candidata ao governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair, havia postado vídeo em suas redes sociais criticando o que chamou de “política da encenação” em torno da BR-319, feita por “heróis de temporada”. “Sério mesmo que acham que o povo não percebe essa cena ensaiada?”, questionou.