Sonho da base é Wilson e Omar Aziz
Questionado sobre essa hipótese, logo após anunciar que seguirá na função, o governador não confirmou nem descartou a possibilidade.
O governador Wilson Lima (União Brasil) realizou nesta segunda-feira (2) o primeiro desejo de boa parte da sua base aliadada na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE/AM): ficar no cargo até o final do mandato. O segundo “sonho” dos parlamentares é a aliança entre Wilson e o senador Omar Aziz (PSD) na Eleição 2026. Questionado sobre essa hipótese, logo após anunciar que seguirá na função, o governador não confirmou nem descartou a possibilidade.
Resolução – O “fico” de Wilson Lima anunciado ontem, na sede do União Brasil, no bairro Adrianópolis, foi realizado ao lado da base de apoio do governo na Assembleia, e do vicegovernador Tadeu de Souza (PP).
Reação – Tadeu, que se filiou à federação União-PP projetando a possibilidade de assumir o comando do Estado, acompanhou a fala de Wilson com expressão fechada e postura contida. Permaneceu impassível, sem qualquer sinal de entusiasmo, mas aplaudiu o discurso.
Ruptura 1 – Curiosamente, a decisão de Wilson Lima foi publicizada dias após a imprensa divulgar as “anotações” do presidenciável Flávio Bolsonaro”, que registravam a baixa popularidade do governador e ainda colocavam o “fator Salazar” como ressalva na negociação com o União Brasil-PP.
Ruptura 2 – Na sequência, o PL oficializou a empresária Maria do Carmo Seffair como o nome para o governo, com dois candidatos ao Senado – do próprio PL – descartando a coalizão com Wilson. Mas não foi só. Desde então, o vereador e influencer Salazar intensificou as críticas contra o governador, com as mais diversas adjetivações.
Avenida – Fato é que as últimas definições partidárias, aliadas aos disparos do prefeito David Almeida (Avante) contra o governo, abriram uma avenida para o encontro entre Wilson e Omar Aziz. Questionado espeficicamente sobre essa possibilidade, o governador afirmou apenas que a executiva nacional do seu partido influenciará nas decisões a serem tomadas nos estados.
Cotado – Aliado de primeira hora de Wilson Lima, o presidente da ALE/AM, Roberto Cidade, vem sendo citado frequentemente como um “nome forte” para a composição como vice na chapa de Omar.
Incógnita – Embora tenha exibido em seu discurso os números do União Brasil no Amazonas – “1 governador, 6 deputados estaduais, dois deputados federais, 24 prefeitos, 14 vice-prefeitos, 158 vereadores” – Wilson não confirmou se o partido terá nome para o Senado. Sobre Tadeu, disse que não conversou sobre o desejo dele de ser candidato.
Manobra – A decisão do governador embaralhou a estratégia – nunca assumida publicamente – de retirar de suas mãos a escolha do próximo desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ/AM). Aparentemente, a OAB vinha arrastando o trâmite da lista sêxtupla justamente para que a nomeação ficasse a cargo de um eventual sucessor.
Caneta – Com a permanência de Wilson até 5 de janeiro de 2027, o cálculo perdeu força. Salvo nova manobra institucional, a prerrogativa da indicação do novo desembargador seguirá concentrada na mesma caneta. Suspensa pelo Conselho Federal da OAB, a eleição para a lista sêxtupla ficou sem data para ocorrer.