A vida em tom maior
O ser humano, medindo-se a vida por critérios puramente matemáticos, não vive muito, embora nos últimos tempos a expectativa de vida tenha aumentado substancialmente.
O ser humano, medindo-se a vida por critérios puramente matemáticos, não vive muito, embora nos últimos tempos a expectativa de vida tenha aumentado substancialmente.
Hoje é comum ver as pessoas romperem a barreira dos 70 ou dos 80 anos em boas ou até em excelentes condições de saúde. Ainda assim, penso, é pouco, para o que representa a extraordinária experiência de viver, levando-se em consideração que, se dormirmos 8 horas por dia, já estaremos deixando de lado 1/3 de nossas vidas… Dia desses, inclusive, li em algum lugar que, também do tempo útil de que dispomos, é preciso descartar os primeiros e os dez últimos anos, haja vista que, naquele, estamos em formação e, neste, caminhamos para o ocaso. O que resta, lembremos, em números, não é grande coisa.
Felizmente a nossa permanência neste plano material de existência não é qualificada apenas pelo número de anos que vivemos, mas por aquilo que conseguimos realizar. A espécie humana, mesmo com essa limitação temporal, é capaz de prodígios, de que a história é testemunha: chegou a todos os quadrantes da Terra, cruzou os mares, ganhou os ares e alcançou, até, o espaço sideral. Hoje busca vida em outros planetas. O homem mais influente do mundo nos últimos 2025 anos, o divino mestre Jesus, viveu “apenas” 33, mas deixou uma obra imperecível, que até hoje mobiliza mentes e aquece corações.
Desta forma, é preciso que usemos o reduzido tempo que temos para fazer as boas obras. Não podemos amesquinhar o dom da vida e desperdiçá-la com más ações ou com a omissão, rendendo-nos à nossa condição animal, vivendo única e exclusivamente para comer, beber, dormir, copular e gozar de outros prazeres da carne. É necessário, para que as nossas vidas tenham um real sentido, buscar sempre um bem maior, um ideal maior, algo que possamos fazer em favor da comunidade em que estamos inseridos, algo além do “feijão com arroz” que fazemos normalmente. Precisamos ser úteis aos nossos familiares, aos nossos amigos, à sociedade, enfim.
Há tantas causas por lutar! Em Manaus, por exemplo, pelo meio ambiente; pelos moradores de rua; pelos prédios históricos abandonados;pela educação de qualidade, com a valorização dos professores; pela saúde efetiva; pela cultura para todos; por um transporte coletivo multimodal e eficiente… No estado, pelo desenvolvimento do interior; pela BR 319; por um modelo alternativo à Zona Franca de Manaus. etc. No país, pela liberdade de expressão política e religiosa; a luta pela igualdade; pela busca firme e constante da fraternidade; pela melhoria da situação dos aposentados e tantas coisas mais. Sempre haverá um bem maior a ser perseguido além do nosso bem-estar pessoal.
Como já dizia o poeta Vinicius de Moraes, é impossível ser feliz sozinho. A felicidade individual jamais será completa, ao menos para os puros de coração, enquanto ela não estiver direcionada e vinculada ao bem comum. Tudo o que é bom, acreditem, se faz acompanhado. Estejamos ao lado, portanto, dos que sonham, dos que agem, dos que criam, dos que constroem, dos que multiplicam para dividir.