Manaus dom, 8 nov
A Crítica
Opinião

Amazônia, por Samuel Hanan

Na obra, assim como em seus artigos publicados em prestigiadas plataformas de comunicação, Hanan defende a necessidade de se manter a floresta em pé

Publicado em 20/09/2025 às 10h03
Amazônia, por Samuel Hanan
Foto: Daniel Brandão/ A Crítica

A livraria Valer, no Largo de São Sebastião, em Manaus, ao lado do imponente Teatro Amazonas, foi palco no último dia 17 de de setembro de 2025, de um acontecimento cultural e político de especial relevância: o lançamento do livro “Amazônia brasileira – Preservar para viver, responsabilidade mundial”, de autoria do professor e ex-vice-governador do Amazonas Samuel Hanan, um dos mais lúcidos intérpretes da problemática amazônica.

O evento reuniu dezenas de autoridades, professores, amigos, estudantes e membros de instituições culturais, todos mobilizados pelo desejo de dialogar e encontrar caminhos certos para a Amazônia, região que experimenta há muito tempo o dilema de conciliar desenvolvimento econômico com preservação ambiental.

Na obra, assim como em seus artigos publicados em prestigiadas plataformas de comunicação, Hanan defende a necessidade de se manter a floresta em pé. Faz uma cobrança clara, porém: se a Amazônia beneficia todo o planeta, as nações mais ricas também devem financiar sua preservação. Historicamente, lembra o autor, a tarefa tem recaído quase exclusivamente sobre indígenas, ribeirinhos e caboclos que vivem da floresta, muitas vezes à custa de seu próprio empobrecimento. Com base em dados oficiais, ele examina os acertos e erros das políticas públicas, oferecendo um diagnóstico preciso e sem rodeios, assim como, e o mais importante, aponta soluções inteligentes e viáveis.

O lançamento, ademais, acontece às vésperas da COP 30, marcada para novembro, em Belém. Pela primeira vez um encontro dessa envergadura será realizado em território amazônico, o que torna oportuna a difusão das ideias apresentadas por Hanan. Seu livro, não tenho dúvidas, em tal contexto, gerará impactos positivos para os debates globais sobre sustentabilidade e desenvolvimento. Hanan é autor de outros trabalhos de leitura indispensável, como “Amazonas, perda de expressão econômica nos últimos 20 anos”; “Brasil, que país é este” (coautoria com Ives Gandra); “Brasil, um país à deriva” (coautoria com Daniel Hanan); “Amazônia, contradições no paraíso ecológico” (coautoria com Ben Hur Batalha ); “Brasil pós-CF 88”; “Portas para o futuro”; “Caminhos para um país sem rumo”; “Em busca da melhor cidade” e “O Amazonas do futuro”.

Os lançamentos de Samuel de Hanan, além de tudo, são sempre mais que eventos literários. Ele os antecede com uma “pequena fala”, que os transformam em verdadeiras aulas magnas de amazonidade. Com a habilidade rara de unir pensamento e ação, ele transmite suas ideias e suas experiências de forma clara e instigante, transformando análises complexas em reflexões acessíveis e inspiradoras, como se conversasse coloquialmente com os seus interlocutores. Um deleite e um privilégio para todos os presentes.

Trata-se, o grande mestre de alguém que precisa ser lido, ouvido, consultado e seguido. Ele integra, sem dúvida nenhuma, em vida, o panteão dos notáveis estudiosos e defensores da Amazônia e do Brasil, bem como de todas as boas e justas causas que temos lutado e que há, ainda, por lutar. Com o seu novo livro Samuel Hanan traz igualmente novas e extraordinárias luzes à discussão. A obra necessária e no momento certo, reforça as vozes aflitas e por vezes apagadas do povo da região por meio da arguta percepção e da autorizada voz de um gigante da vida pública e intelectual de nosso país.

​PS. Temos a alegria, nós da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas (ACLJA), de contar com ele, lustrando os nossos quadros, na categoria de sócio honorário.