Amazonas registra 150 mil empresas inadimplentes em junho
No Amazonas, o número faz parte de um cenário regional que reuniu mais de 517 mil 903 empresas inadimplentes
O Amazonas (AM) registrou 150 mil empresas inadimplentes em junho, segundo dados do indicador de inadimplência das empresas da Serasa Experian divulgados nesta segunda-feira (17). O estado teve o segundo maior número de Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJs) negativados da região Norte, atrás apenas do Pará (PA), que registrou mais de 185 mil empresas nessa situação.
No Amazonas, o número faz parte de um cenário regional que reuniu mais de 517 mil 903 empresas inadimplentes. Ao todo, foram 3.214.748 milhões de dívidas negativadas na região, que juntas somaram cerca de R$ 10,9 bilhões. Ao lado do AM, na segunda colocação está o estado do Tocantins (74.338). Em termos financeiros, Rondônia registrou a maior dívida média por empresa da região (R$ 25.571,52), enquanto o Amapá apresentou o maior ticket médio (R$ 4.105,26).

Ao todo, foram 3.214.748 milhões de dívidas negativadas na região, que juntas somaram cerca de R$ 10,9 bilhões ()
Visão nacional
No cenário nacional, o número de empresas inadimplentes no Brasil cresceu em junho de 2026 e superou a marca de 9,1 milhões de CNPJs, maior marco da série histórica. No período, o volume financeiro de dívidas negativadas chegou a R$ 232,9 bilhões. Em média, cada empresa inadimplente acumulou 7,3 contas em atraso, com dívida média de R$ 25.508,96 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.515,77.

No cenário nacional, o número de empresas inadimplentes no Brasil cresceu em junho de 2026 e superou a marca de 9,1 milhões de CNPJs ()

Em média, cada empresa inadimplente acumulou 7,3 contas em atraso ()
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, explica que o encerramento do primeiro semestre confirma a continuidade de um ambiente desafiador para as empresas brasileiras.
“Os dados mostram que a inadimplência segue avançando mesmo após o início do ciclo de cortes da Selic. Isso acontece porque as condições financeiras continuam bastante restritivas e os juros permanecem elevados em termos históricos, limitando uma melhora mais consistente do mercado de crédito. Ao mesmo tempo, a atividade econômica começa a apresentar uma desaceleração mais evidente, reduzindo o ritmo de geração de receita das empresas justamente em um momento em que muitas ainda enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa”, afirma.
Setores inadimplentes e perfil das dívidas
Do total de empresas negativadas em junho, 55,7% pertenciam ao setor de “Serviços”. Na sequência apareceram os segmentos de “Comércio” (32,2%), “Indústria” (8,0%) e “Primário” (0,9%).

Do total de empresas negativadas em junho, 55,7% pertenciam ao setor de Serviços ()
“A composição das dívidas reforça que muitas empresas continuam recorrendo ao crédito para sustentar a operação e administrar o capital de giro, e não necessariamente para investir ou expandir os negócios. Em um ambiente de crédito mais seletivo, reorganizar esses compromissos financeiros se torna mais difícil, o que prolonga o processo de regularização e contribui para a manutenção de um estoque elevado de inadimplência”, explica Camila.
Em relação à origem das dívidas, o maior peso permaneceu com o segmento de “Serviços” (31,6%), seguido por “Bancos/Cartões” (19,5%). Na sequência apareceram Cooperativas (8,4%), Utilities (6,9%) e Telefonia (6,0%).
“Quando observamos a composição das dívidas, percebemos que boa parte da inadimplência empresarial continua ligada às necessidades de financiamento da própria operação. Em um ambiente de crédito restritivo, administrar essas obrigações torna-se mais complexo, especialmente para empresas que dependem de capital de giro para manter suas atividades”, explica Camila.

Boa parte da inadimplência empresarial continua ligada às necessidades de financiamento ()