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A Crítica
Economia

Codam projeta melhor resultado da década para Zona Franca de Manaus

Resultado de faturamento, investimentos e emprego colocam Polo Industrial próximo de índices da “era de ouro” da Zona Franca, em 2011

Publicado em 31/10/2024 às 20h00
Codam projeta melhor resultado da década para Zona Franca de Manaus
Foto: Daniel Brandão

Mesmo com duas secas históricas no Amazonas, o Polo Industrial de Manaus caminha neste ano para alcançar os US$ 40 bilhões em faturamento e US$ 10 bilhões em novos investimentos, números  similares ao da “era de ouro” da Zona Franca, em 2011. Este foi o balanço divulgado durante a 310ª reunião do Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam), realizada nesta quinta-feira (31).

Reflexo dos novos investimentos, o Polo Industrial alcançou o patamar de 123,1 mil empregos até agosto. A média do ano chegou a 120,1 mil trabalhadores na indústria, outro número na média do melhor período da Zona Franca, entre 2010 e 2014. 

O Polo Industrial faturou US$ 25,2 bilhões entre janeiro e agosto. O resultado, segundo o secretário-executivo da Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Gustavo Igrejas, é 8,3% maior que o mesmo período em 2023, quando o polo faturou 23,3 bilhões de dólares.

“A expectativa, com esses números que temos até agosto, é que esse ano a gente chegue perto dos 40 bilhões de dólares, que seria o segundo maior faturamento da história [da Zona Franca de Manaus], só perdendo para os 41 bilhões de dólares em 2011”, relembra.

O maior segmento responsável pelos bons resultados do PIM foi o de bens de informática, que contribuiu com 22,91% do resultado. Em seguida vem o polo de duas rodas (18,41%), o eletroeletrônico (17,94%), químico (9,67%), termoplástico (9,18%), metalúrgico (7,4%) e outros (14,5%).

Os principais produtos fabricados no polo industrial neste ano até agosto foram motocicletas (14,8%), televisões (11,5%), celulares (7,1%), placas-mãe para computadores (6,3%), ares-condicionados split (6%) e concentrados para refrigerantes (5,5%).

Investimento

A expectativa da Suframa é de que o total de investimentos no Polo Industrial de Manaus chegue a 10 bilhões de dólares até o final de 2024, alcançando o mesmo patamar histórico visto no ano de 2011. Os novos negócios já refletem a abertura de novas vagas. A média de empregos diretos, neste ano, está em 120 mil empregos, índice considerado positivo.

“Está dentro do nosso recorde entre 2010 e 2014, com 120 mil pessoas. Lembrando sempre que para cada emprego direto no Polo Industrial de Manaus, nós temos quatro a cinco indiretos em negócios que só existem por conta do Polo, como vigilância, conservação, e em diversos outros segmentos”, afirmou Igrejas.

“A gente calcula que são, mais ou menos, 600 mil pessoas que vivem do negócio chamado Zona Franca de Manaus. Importante destacar também que 120 mil pessoas atualmente, comparadas com as 120 mil do início da década de 2010, é muito mais representativo por conta da automação que temos hoje”, acrescentou.

Novos projetos

Com a reunião desta sexta-feira, o Codam aprovou os 54 projetos previstos na pauta, sendo 30 de bens finais e 26 de bens intermediários. Na classificação dos projetos, 22 são de implantação, 30 de diversificação e quatro de atualização. Os investimentos projetados chegam a R$ 1,3 bilhão, com a criação de 1.530 postos de trabalho.

Os destaques de investimentos vão para os projetos da Valgroup AM Indústria de Embalagens Flexíveis (R$ 564,6 milhões), Aiko Indústria e Comércio de Eletrônicos (R$ 109,7 milhões), AIDC Tecnologia (R$ 42,5 milhões) e Intelbras S.A. (R$ 4,8 milhões). A projeção das empresas prevê a criação de 500 empregos.

Setor eletroeletrônico

Durante a reunião, a Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) promoveu uma exposição sobre os produtos fabricados pelo polo eletroeletrônico na Zona Franca de Manaus. O setor prevê que 2024 possa ser o melhor dos últimos cinco anos impulsionado pelos produtos fabricados na capital amazonense.

Entre janeiro e setembro deste ano, as vendas de produtos eletroeletrônicos cresceram 24% em relação ao mesmo período em 2023. Para o secretário Serafim Corrêa, os avanços do setor na ZFM “refletem nosso compromisso com inovação e competitividade global, consolidando a região como um polo tecnológico de referência”. O presidente da Eletros, José Jorge Júnior, destacou ainda que o primeiro semestre do ano foi o melhor da última década, com crescimento de 34% em relação a 2023.

“Este avanço reflete a estabilidade econômica do país, com geração de empregos, queda na taxa de juros, controle da inflação e um ambiente propício ao consumo”, disse.
Ele avaliou que parte desse crescimento ocorreu devido à alta demanda de ar-condicionado e ventiladores devido às ondas de calor que atingiram o país no primeiro semestre.

“Com temperaturas elevadas, o consumidor buscou conforto e bem-estar, o que impulsionou as vendas de ar-condicionado e ventiladores. Acreditamos que esse cenário deve se manter no segundo semestre, projetando um crescimento anual entre 20% e 25%, um dos maiores dos últimos dez anos”, concluiu.