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A Crítica
Economia

Com deflação, manter Selic alta é injustificável

Economistas avaliam que a inflação negativa registrada em junho deve provocar a redução da taxa de juros, hoje em 13,75%

Publicado em 12/07/2023 às 08h56
Com deflação, manter  Selic alta é injustificável
Foto: Agência Brasil

A queda a inflação negativa de 0,08%, registrada em junho,  deve pressionar o Banco Central a rever a taxa de juros. Economistas alertam que a não redução pode agravar a estagnação do país. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados ontem, indicam que no mês passado o Brasil, pela primeira vez no ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou abaixo de zero, o menor registrado no para um mês de junho desde 2017, quando o índice foi de -0,23%.

A economista, Denise Kassama, desde abril, já alertava sobre a perda de força da inflação com indicativo para a queda. Essa redução, segundo ela, é um fator importante para pressionar os juros para baixo, mas não é um fato isolado. Além do dólar, Denise lembra que o Banco Central leva em consideração também outros critérios como a taxa de recuperação de crédito pelos bancos, a taxa da poupança, a dívida bruta do brasileiro de uma forma geral e a percepção do risco, “Em outras palavras ele usa muito esse risco da inadimplência de quem toma crédito. Na minha opinião, uma coisa puxa a outra. Quanto maior os juros, maior o risco de inadimplência eu vou ter, porque mais caro fica o dinheiro. A expectativa é que tenha queda sim”, disse a economista. 

Para Kassama, espera-se que  na reunião do Comitê de Política Monetária do Bacen (Compom), em agosto, seja anunciada uma queda na taxa de juros, que atualmente está em 13,75%. 

 

Inadimplência

 

“Eu entendo que o Banco Central precisa mostrar um pouco de boa vontade nesse processo de combater a inflação. Os juros altos ajudam a manter a política de endividamento da população e isso é muito ruim para a economia”, ressaltou.

O também economista, Francisco Mourão Júnior, lembra que no acumulado dos últimos doze meses a inflação ficou abaixo da meta estabelecida pelo Banco Central que é 3,25%. Na avaliação dele, a redução da inflação também preocupa, pois mostra a estagnação econômica do país em virtude da taxa básica de juros (Selic) em alta. “Por essa inflação estar abaixo do teto da meta vai provocar a partir da próxima reunião do Copom uma diminuição dessa taxa Selic em agosto. Há essa necessidade e agora mais do que nunca essa pressão para que a economia não fique estagnada”, alerta o economista. 

Em maio, o IPCA foi de 0,23%. No acumulado do ano, o índice soma 2,87%, e nos últimos 12 meses, 3,16%, abaixo dos 3,94% observados nos 12 meses anteriores. Em comparação com o mês de maio, os grupos que mais contribuíram para a deflação foram alimentação e bebidas (-0,66%) e transportes (-0,41%), com uma contribuição de -0,14 e -0,08 ponto percentual no índice geral, respectivamente.