Energia solar avança no Amazonas e movimenta economia com crescimento de 528%
Com mais de 10 mil usinas instaladas e aumento na procura por soluções sustentáveis, setor atrai investimentos, gera empregos e reduz custos em residências e empresas do estado.
O mercado de energia solar no Amazonas registrou um crescimento expressivo de 528% na instalação de sistemas fotovoltaicos, tanto em residências quanto em comércios e propriedades rurais entre 2021 e 2024. Os dados são da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A capacidade instalada de energia solar no estado era de aproximadamente 36,8 megawatts em 2021 e saltou para 231 megawatts três anos depois.
Atualmente, existem 10.024 usinas solares instaladas no Amazonas. A projeção para 2025 é que o Brasil invista R$ 39 bilhões no setor solar, com aproximadamente R$ 200 milhões destinados ao interior do Amazonas.
Além de economizar, a energia solar também está ajudando a gerar emprego. Só em Manaus, o número de empresas que instalam os sistemas mais que dobrou nos últimos dois anos. De acordo com a plataforma Econodata, atualmente existem 93 empresas ativas no Amazonas nesse segmento.
Nos municípios do interior, como Itacoatiara, Manacapuru e Parintins, essa tecnologia também está se espalhando. O empresário Gustavo Lucena criou a Gimper Engenharia e tem visto a procura aumentar não só em empresas, mas em domicílios. A demanda foi tanta que o empresário resolveu também investir em uma franquia que realiza somente a manutenção e limpeza dos painéis.
“A Gimper Engenharia iniciou suas atividades em junho de 2022, com o propósito de atender uma necessidade crescente no mercado de energia solar, especialmente na Zona Norte do Brasil. Desde o início, identificamos uma carência significativa de profissionais qualificados e empresas que oferecessem soluções completas e de qualidade nesse setor. Diante da alta demanda, expandimos nossos serviços e adquirimos uma franquia especializada na manutenção e limpeza de módulos solares, a Limpa Solar AM, garantindo ainda mais eficiência e durabilidade nos sistemas que instalamos”, afirmou.
Recursos
O empresário disse que a instalação da empresa no estado é estratégica pela facilidade de recursos naturais, questões econômicas e também sustentáveis. Ele ressaltou que houve um grande crescimento no atendimento desse setor.
“Ao longo desses anos, observamos um crescimento expressivo do mercado. A energia solar se consolidou como uma das principais alternativas energéticas no Brasil, e o Amazonas tem acompanhado esse movimento de forma muito positiva”, disse.

O empresário Gustavo Lucena, fundador da Gimper Engenharia, disse que a procura por painéis solares aumentou não só em empresas, mas em domicílios. (Foto: Divulgação)
Lucena atribuiu o aumento de atendimentos da empresa ao aumento da conscientização ambiental e sobre fontes de energia, os incentivos fiscais e políticas públicas de estímulo à energia limpa, como a isenção de ICMS para micro e minigeração.
“Além disso, a queda no custo dos equipamentos fotovoltaicos o aumento das tarifas de energia elétrica tradicional impulsionaram a busca por alternativas mais econômicas e sustentáveis. A evolução tecnológica e a eficiência dos sistemas também aumentaram a confiança dos consumidores e empresas nesse tipo de investimento”, destacou.
O empresário disse que a expectativa para os próximos ano são positivas e que com a regulamentação do marco legal da geração distribuída e o crescente interesse por soluções sustentáveis, espera-se ampliar a base de clientes e oferecer projetos ainda mais personalizados e eficientes. “A sustentabilidade deixou de ser uma tendência e se tornou uma necessidade, e nós estamos preparados para liderar essa transição”.
A publicitária Dany Lima optou pela instalação de painéis solares em sua residência principalmente para reduzir os custos com a conta de luz.
“A principal motivação foi o calor intenso aqui em Manaus. A gente usa muito ar-condicionado e ventilador, então a conta de luz vinha sempre alta. Aí começamos a pesquisar alternativas e vimos que, com tanto sol o ano todo, fazia muito sentido investir em energia solar, ajudou muito a diminuir a conta de energia da casa”, afirmou.
Dany explicou que a energia solar também é uma ótima opção econômica por não exigir muitos reparos. “A maior vantagem foi a economia na conta de luz, caiu bastante. O sistema exige pouca manutenção, então é bem tranquilo no dia a dia”
Painéis reduziram os custos
O engenheiro civil Matheus Arruda utiliza energia solar em sua construtora, motivado tanto pela sustentabilidade quanto pela economia nas tarifas de energia elétrica.
“A Construtora sempre busca inovações que agregam cada vez mais aos nossos propósitos e princípios, a energia solar com certeza é uma solução sustentável que agrega valor aos nossos projetos e ao mesmo tempo traz benefícios reais aos nossos clientes. A energia solar se destacou como uma alternativa limpa, renovável e eficiente. Além disso, com o aumento constante nas tarifas de energia elétrica, vimos na energia solar uma oportunidade de reduzir custos operacionais”, ressaltou.

(Foto: Divulgação)
Arruda disse que antes da instalação os gastos com energia eram altos. “Após a implementação da energia solar, conseguimos uma redução significativa nas contas. Isso impacta diretamente na nossa margem e nos permite reinvestir em melhorias nos projetos e tecnologia”.
O engenheiro informou que uma das melhorias para a marca foi conseguir associar uma imagem mais sustentável em seus processos.
Aporte de R$ 39,4 bilhões impulsiona o segmento
O setor de energia solar no Brasil está prestes a vivenciar um salto significativo em 2025, com estimativas de um aumento superior a 25% na capacidade instalada, atingindo cerca de 64,7 gigawatts (GW). Este avanço é sustentado por inovações tecnológicas, políticas públicas incentivadoras e uma maior conscientização da sociedade sobre a importância da sustentabilidade.
De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Foto[1]voltaica (ABSOLAR), o país deve incorporar mais de 13,2 GW em nova potência no próximo ano. Essa expansão representa um investimento estimado de R$ 39,4 bilhões e a geração de aproximadamente 396,5 mil empregos em várias regiões.
A energia solar tem se destacado como uma das principais fontes de eletricidade no Brasil, em grande parte devido à Lei 14.300 e à Resolução Normativa 1000 da ANEEL. Essas regulamentações têm impulsionado a geração distribuída, incentivando residências, empresas e propriedades rurais a instalarem sistemas fotovoltaicos. Além da redução nos custos de energia, essa iniciativa promove maior independência energética. A popularização do Mercado Livre de Energia também contribui para que pequenas e médias empresas tenham mais controle sobre consumo e gastos, reforçando essa tendência.
O Brasil, com seus abundantes recursos naturais e a queda contínua nos custos de equipa[1]mentos, continua a se posicionar como líder global no setor de energia solar. A integração de novas tecnologias fotovoltaicas e de sistemas híbridos que combinam geração solar e armazenamento em baterias promete transformar o mercado, oferecendo mais eficiência e flexibilidade na gestão energética.
Apesar do cenário promissor, o setor enfrenta desafios importantes. A modernização da infraestrutura elétrica será essencial para atender ao aumento na geração distribuída. Adicionalmente, questões como a elevação do Imposto de Importação sobre módulos fotovoltaicos podem encarecer os projetos e dificultar novas implementações.
Ainda assim, as perspectivas para 2025 permanecem otimistas. Especialistas projetam uma expansão consistente da capacidade instalada, atraindo investimentos robustos e consolidando a energia solar como pilar estratégico para o Empresa adotou o sistema de geração de energia solar futuro energético do Brasil
*Colaborou Cley Medeiros