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A Crítica
Economia

Eneva aponta investimentos de R$ 550 milhões nas duas novas reservas de gás no Amazonas

Empresa anunciou a descoberta de dois novos campos na região dos municípios de Itapiranga e Silves

Publicado em 17/02/2024 às 09h10
Eneva aponta investimentos de R$ 550 milhões nas duas novas reservas de gás no Amazonas
Foto: Márcio Silva

A Eneva anunciou, nesta sexta-feira (16), a descoberta de mais duas reservas de gás natural nos campos do Tambaqui e Azulão Oeste, localizados nos municípios de Itapiranga e Silves, região metropolitana de Manaus. O diretor de Exploração, Reservatório e Tecnologias de Baixo Carbono da empresa, Frederico Miranda, disse que todo o processo de prospecção demanda investimentos de  cerca de R$ 550 milhões. E ressaltou que a atividade desenvolvida pela empresa contribui para a interiorização do desenvolvimento sustentável no Amazonas.

As duas reservas foram divulgadas em um relatório entregue à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em conjunto com o campo de exploração Gavião Vaqueiro, localizado na bacia do Parnaíba, no Estado do Maranhão.

“A partir da data de hoje, com declaração de comercialidade desses novos campos, teremos seis meses para elaborar um plano de desenvolvimento e entregar à Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis como esses campos serão desenvolvidos economicamente. A gente estima que, além dos mais de R$ 200 milhões que foram gastos nas campanhas de perfuração no passado, mais de R$ 350 milhões serão investidos no desenvolvimento dessas novas acumulações, com geração de emprego, renda e novos projetos sociais na região”, relatou.

Investimentos

O diretor detalhou os aportes de recursos nesse campo de exploração.

“Em relação aos investimentos dos próximos anos, no projeto do Azulão 950 nós temos previstos já um investimento na ordem de R$ 5,8 bilhões, com  adicionais de cerca de R$ 350 milhões para a conexão dos campos de Tambaqui e Azulão Oeste. E e um ponto adicional: os blocos exploratórios que nós temos nos municípios citados cobrem uma área de mais de 7 mil km quadrados com prazo de concessão até 2030. O projeto de Azulão 950 excede 2040 em termos de atendimento ao contrato de fornecimento de energia”, disse o diretor da empresa.

O governador Wilson Lima (União) afirmou que a data é histórica e que a Eneva está mandando “um recado muito importante para o mercado”.

“O que nós estamos fazendo aqui é apresentando e consolidando de forma efetiva uma matriz econômica alternativa à Zona Franca de Manaus. Nós não abrimos mão da Zona Franca de Manaus, ela representa algo em torno de 70% das nossas atividades econômicas, e tudo que vier na sequência tem que ser complementar à essa atividade, é o que acontece com a exploração do gás”, declarou o governador.

Wilson Lima ressaltou que a ANP mostrou que o Amazonas detém a maior reserva de gás em terra do Brasil, “algo em torno de 40 bilhões de metros cúbicos de poços já provados”.

“Isso tem que se reverter em forma de riqueza para a nossa população. Eu tenho conversado com muitas empresas e autoridades sobre a questão amazônica. Sempre tenho dito que não tem como a gente construir uma política de preservação ambiental sem que a gente tenha dois pilares importantes: atividade econômica e desenvolvimento social”, disse.

O governador  afirmou que o mundo “parece que vê somente as copas das árvores” e quer que a floresta “esteja congelada, do jeito que ela é sem que nada seja movimentado”.

“Ninguém nesse planeta está mais interessado em preservar a Amazônia do que quem mora na Amazônia. É absurda a ideia de pensar que a gente não quer preservar isso daqui. Agora a gente não pode ficar condenado ao sofrimento e à miséria por conta de discursos equivocados de preservação ambiental”, pontuou.

Isolados

Questionado sobre a questão de indígenas isolados na região do Complexo do Azulão, apontada em relatório pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), órgão vinculado à Igreja Católica, o que fez com que o Ministério Público Federal (MPF) pedisse a suspensão do licenciamento ambiental concedido à Eneva, o governador respondeu que os órgãos de controle têm papel fundamental no desenvolvimento “de qualquer atividade econômica e social”, mas demonstrou bastante tranquilidade sobre a questão.

“Todas as salvaguardas ambientais, da questão indígena, das populações tradicionais, tudo isso foi muito respeitado em empreendimentos como a Eneva, como a Potássio do Brasil, qualquer outro empreendimento. E aqueles empreendimentos que o Estado do Amazonas entrega as licenças ambientais são todos calçados na legislação ambiental, atendendo todas as exigências, e o nosso instituto de proteção ambiental tem sido muito rigoroso”, disse.

Por meio de assessoria, a Eneva também respondeu ao questionamento e disse que as licenças ambientais do complexo do Azulão seguem em vigor, conforme decisão das instituições responsáveis. A empresa destacou que o juiz da 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária da Seção Judiciária do Amazonas, Rodrigo Melo, não atendeu o pedido do MPF e definiu “que novas informações agregadas ao processo devem ter anuência das partes, fazendo referência ao relatório da CPT, que relata a eventual existência de indígenas isolados na área do empreendimento”.

O magistrado deu prazo de 15 dias para que a Eneva e o MPF se manifestassem. A empresa afirma ainda que não identificou comunidades tradicionais indígenas ou quilombolas na área do Campo do Azulão, “conforme as bases oficiais da Funai [Fundação Nacional dos Povos Indígenas] e Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária]”.

“Dessa forma, não há o que se falar de ausência de estudos indígenas ou quilombolas, pois não há previsão legal para tal. Informação técnica da Funai, de setembro do ano passado, consta que a terra indígena mais próxima fica a cerca de 27,85 km do empreendimento. Portanto, não há terra indígena demarcada ou em estudo na área do empreendimento”, escreveu a empresa.