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A Crítica
Economia

Engrenagem invisível que move a economia do Amazonas

Empresas especializadas em logística revelam os bastidores de um setor estratégico e pouco conhecido que mantém a ZFM competitiva no cenário global

Publicado em 06/12/2025 às 17h17
Engrenagem invisível que move a economia do Amazonas
Foto: Divulgação

Enquanto produtos eletrônicos, motocicletas e insumos industriais circulam diariamente pela Zona Franca de Manaus, uma engrenagem silenciosa e complexa opera nos bastidores para garantir que a produção não pare: o transporte internacional de cargas. Pouco difundido fora dos círculos técnicos, esse setor é fundamental para o desenvolvimento econômico do Amazonas, assegurando o fluxo contínuo de componentes e equipamentos que abastecem o parque industrial da região.

“É por meio dessas operações que a indústria instalada em Manaus garante o fluxo contínuo de insumos, equipamentos e componentes, permitindo a manutenção da produtividade e da competitividade econômica do Estado”, explica Eduardo Lopes, sócio-diretor da Jet Speed, empresa que atua no mercado amazonense desde o final da década de 1970.

Com raízes que remontam à época da cabotagem, a companhia acompanhou de perto a evolução logística da região e testemunhou como o transporte internacional se tornou vital para a economia local.

A trajetória da Jet Speed ilustra a consolidação desse mercado. Em 1982, seus gerentes participaram da abertura da filial brasileira da Combined Logistics, empresa que se tornou referência no atendimento às demandas da Zona Franca de Manaus.

“Entendemos o ritmo da região, suas necessidades e a relevância das cargas internacionais para manter a indústria abastecida e competitiva”, destaca Lopes, evidenciando o conhecimento técnico acumulado ao longo de mais de 40 anos de operação.

Os desafios de um Estado continental

Fazer logística no Amazonas exige muito mais do que conhecimento técnico convencional. Com dimensões continentais, características geográficas únicas e distância expressiva dos grandes centros econômicos do país, o Estado impõe desafios que transformam cada operação em um exercício de planejamento minucioso. Condições climáticas extremas, limitações de infraestrutura e ajustes operacionais frequentes em portos e aeroportos fazem parte da rotina diária dos profissionais do setor.

“Um dos equívocos comuns no comércio exterior é selecionar agentes e modais apenas pelo menor custo. Em Manaus, esse tipo de decisão pode gerar sérios problemas”, alerta o executivo. Um único atraso pode paralisar uma linha de produção inteira, enquanto documentos emitidos inadequadamente resultam em custos elevados de armazenagem e prejuízos que comprometem a competitividade das empresas.

A escolha do parceiro logístico, portanto, transcende a comparação de tarifas e passa a ser uma decisão estratégica. “A operação logística no Amazonas precisa de previsibilidade, agilidade de informação e acompanhamento próximo”, ressalta Lopes, enfatizando que o impacto dessa escolha reverbera diretamente na continuidade do abastecimento industrial e na capacidade das empresas de competir em mercados globalizados.

Quando a natureza dita o ritmo dos negócios 

A relação entre logística e meio ambiente no Amazonas ganha contornos particulares com o ciclo natural de cheia e vazante do Rio Amazonas. Essa dinâmica, que sempre esteve presente na realidade regional, influencia diretamente a programação das operações e exige dos operadores logísticos um monitoramento constante dos níveis fluviais.

Eventos excepcionais, como o registrado em 2023, colocam à prova a capacidade de adaptação do setor. No entanto, conforme explica o diretor da Jet Speed, os níveis do rio têm se mantido dentro de faixas que permitem a navegação, ainda que com ajustes operacionais.

“Planejamos rotas alternativas, ajustamos janelas de embarque quando necessário e orientamos os clientes de forma contínua para que tenham previsibilidade e possam organizar suas operações com antecedência”, detalha.

Essa abordagem preventiva revela uma característica essencial do setor: a antecipação. Em um ambiente onde imprevistos podem custar caro, trabalhar com cenários alternativos e manter canais de comunicação transparentes com os clientes torna-se não apenas um diferencial competitivo, mas uma necessidade operacional.