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A Crítica
Economia

Fabricante de chocolates amazônicos receberá o título de ‘Microindustrial do ano’

O português Jorge Neves, sócio fundador da Warabu Chocolates, vai receber o título no dia 19, em evento promovido pela FIEAM

Publicado em 07/05/2023 às 14h14 · Atualizado em 08/05/2023 às 09h41
Fabricante de chocolates amazônicos receberá o título de ‘Microindustrial do ano’
Foto: Divulgação

Da docência para o desafio empresarial de transformar recursos da Amazônia em chocolates orgânicos, sem conservantes, livres de glúten e veganos. Jorge Neves, 54, nasceu na cidade de Coimbra, em Portugal, formado pelo Centro de Formação Profissional do Setor Alimentar (CFPSA), em Tecnologia de Alimento.  Sócio fundador da Warabu Chocolates há quatro anos, o empresário recebe no próximo dia 19 o título de Microindustrial do Ano, em solenidade promovida pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) no Clube do Trabalhador.

A empresa Warabu Chocolates tem o nome derivado da linguagem indígena tupi-guarani, resultado da junção de duas palavras: Wara, que significa “origem de algo” ou “algo que vem da origem” e Bu, que significa “da terra” ou “algo que é daqui”.

A ideia nasceu no final de 2018, ainda na fase dos testes laboratoriais para descobrir o comportamento do cacau de várias regiões do Brasil. Tudo em busca da melhor matéria-prima para o preparo de chocolates Bean to Bar, caracterizado pelo processo a partir da amêndoa integral do cacau até a barra de chocolate, sem segmentação de processos nem aditivos artificiais de qualquer sorte.

No período de controle de qualidade de fluxo, em 2019, Jorge conheceu a sua futura sócia, Linda Gabay, que na época ingressou na empresa como estagiária do curso de Farmácia da Universidade Federal do Amazonas. As vendas na empresa iniciaram-se apenas no ano seguinte, pouco antes do início da pandemia, o que afetou diretamente o seu crescimento.

Porém, como afirma Neves, “é necessário gostar muito de uma coisa para conseguir levá-la em frente”, então, por sua paixão pelo sucesso dos produtos Warabu e pelo próprio chocolate, o empresário permaneceu motivado a não desistir, apesar das adversidades financeiras do período.

Com o objetivo de elevar a marca ao nível de chocolate premium, os dois primeiros sócios, Jorge Neves e Linda Gabay, abriram em 2021 uma nova sociedade com os também sócios proprietários da Aceleradora Axcell, os empresários Átila Denys, Renato Bonadiman e Matheus Faria. A parceria nasceu após a constatação de que possuíam sonhos compartilhados.

“A Axcell entrou com capital, mas no nosso caso eles também deram apoio em todos os níveis, como o administrativo, marketing e comercial. Então nós ganhamos um suporte estratégico”, explica Neves, ressaltando que um dos maiores investimentos, desde a parceria, foi o uso de tecnologia de máquinas italianas, que conseguiram a qualidade do chocolate.

Diferencial da Warabu Chocolates

O uso de cacau nativo e selvagem, nunca antes cultivado, de espécie nativa situada na bacia Amazônica, é um dos maiores diferenciais da Warabu Chocolates, que usa em seu processo produtivo o cacau coletado por agricultores familiares de quatro comunidades do estado do Pará: Tauaré, Angapijó, Costa da Santana e Tatuoca, além da Cooperativa Cepotx – Cooperativa Central de Produção Orgânica da Transamazônica e Xingu.

Os diversos outros insumos utilizados para contribuir com nota de sabor aos chocolates são o açaí e a manga, vindos do município de Urucará (AM); o puxuri – noz-moscada de origem amazônica, vinda de Borba (AM); o cumaru vindo de Borba (AM) e de uma comunidade indígena chamada Kayapó, na cidade Tucumã (PA), que também fornece as castanhas utilizadas nos produtos. Essa é uma parceria que surgiu graças a organização sem fins lucrativos chamada “Origens Brasil”.