Manaus recebe novamente as reuniões do G20
As reuniões acontecem entre os dias 16 a 19 de setembro
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) escolheu Manaus mais uma vez para sediar um encontro do G20. O evento tem como objetivo avançar nos caminhos da inovação aberta, com vistas a corrigir a concentração de acesso e produção científica e tecnológica no cenário global. As reuniões começaram nesta segunda-feira (16) e vão até o dia 19, no Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques.
“Nós vamos discutir alguns documentos ao longo desses dias. O mais relevante é essa estratégia do G20 para cooperação e inovação aberta, que é o que a gente tá buscando como modelo alternativo, que a gente chama de business as usual, para garantir que os países em desenvolvimento tenham mais condições e capacidade para acessar e produzir ciência e tecnologia”, explicou o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do MCTI, Carlos Matsumoto.
De maneira prática, Matsumoto explicou que essa inovação aberta trata negociações para que os países em desenvolvimento assumam compromissos sobre redução dos gases do efeito estufa e como responder mais rápido às emergências de saúde.
“A estratégia de tecnologia aberta traz essa necessidade de ter maior compartilhamento de estratégias comuns para os países que estão em desenvolvimento possam responder de forma mais rápida”, destacou.
Os países participantes são África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia, além da União Africana e da União Europeia. Ademais, países e organizações internacionais convidadas pelo anfitrião também participam do G20.
Manaus já sediou um encontro do G20 anteriormente, em junho deste ano, que debateu Iniciativas de Bioeconomia e do Grupo de Trabalho de Sustentabilidade Climática e Ambiental. Dessa vez, irão se reunir os delegados e os ministros de Pesquisa e Inovação do G20.
Na última reunião do grupo, foi informado que a região amazônica foi escolhida por ser a maior floresta tropical do mundo, além de evidenciar as mudanças climáticas nos últimos anos. O evento divulgou que precisava debater inovação e fontes de renda mais sustentáveis. Agora, estão discutindo o turismo sustentável e a ideia de inovação vinculada aos saberes ancestrais, com respeito ao meio ambiente.
Além disso, também faz parte da programação, nos dias 17 e 18, o “Seminário Internacional sobre a Amazônia e Florestas Tropicais”, evento paralelo do G20 Brasil com presença de autoridades nacionais e internacionais.
Já no dia 18, as delegações também estão convocadas para uma visita à estrutura do AmazonFACE, programa científico instituído pelo MCTI e coordenado por pesquisadores do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). O objetivo principal é investigar como a floresta Amazônica vai se comportar com o aumento de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera prevista para o futuro.
O diretor do Inpa, Henrique Pereira, informou que a participação do instituto trata-se de uma seminário sobre os desafios e oportunidades para pesquisa em florestas tropicais.
“Esse seminário é coorganizado pela Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). Em 1978, os países Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela assinaram o Tratado de Cooperação Amazônica com o objetivo de promover a cooperação para o desenvolvimento sustentável da região. Posteriormente, em 1995, esses países estabeleceram a OTCA”, afirmou Pereira.
O temas que serão abordados pelo Inpa são: descarbonização e mudanças climáticas; Conhecimento tradicional e diversidade em CT&I: inclusão e combate às desigualdades (Cooperação entre países amazônicos e parceiros internacionais); Diversidade biológica e unidades de conservação e reservas da biosfera; Inovação aberta na cooperação internacional em ciência, tecnologia e inovação; Bioeconomia e Cooperação acadêmica.
“Como principal instituto de pesquisas brasileiro na Amazônia, a participação do INPA representará a principal contribuição brasileira ao debate em pelo menos 3 dos 6 temas do evento”, destacou o diretor.
Henrique Pereira também informou que agora o Inpa ocupa a vice-presidência da recém criada Rede Amazônia de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade (RedeBioAmazonia), que trabalha de forma conjunta com a França.
“O projeto reúne 8 institutos da pan-amazônia, projeto apoiado pelo BID (banco interamericano) e também a coordenação nacional do Centro Francobrasileiro de Biodiversidade Amazônica, um programa de cooperação científica entre o Brasil e a França”, disse o diretor do Inpa.
Além de Manaus, Belém está sediando o evento, que será entre delegados e ministros de Turismo, em busca de estabelecer a promoção do desenvolvimento sustentável no setor turístico, com ações que envolvam a qualificação e a capacitação profissional com foco na cooperação internacional e no fortalecimento das instituições multilaterais.
Nos dias 19 e 20 acontece a reunião técnica e no dia 21 a reunião ministerial. No período, a cidade também será palco de fóruns internacionais da Organização das Nações Unidas (ONU) Turismo e do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em inglês).
Os três dias buscam atrair a atenção de líderes e especialistas em turismo para Belém, reforçando a importância do destino no cenário global, no ano que antecede a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) no estado. A capital paraense, em julho, já sediou as reuniões do Grupo de Trabalho de Finanças Sustentáveis e da Força-tarefa para Mobilização Global contra a Mudança do Clima.
Após as reuniões ministeriais, o próximo passo é a entrega dos documentos acordados entre as delegações aos chefes de Estado e Governo do G20 na Cúpula de Líderes, nos dias 18 e 19 de novembro, no Rio de Janeiro.