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A Crítica
Economia

Milhas aéreas movimentam economia e beneficiam consumidores

Fazer várias viagens ao ano e ainda de classe executiva não é mais um sonho tão distante para quem começa a investir em milhas

Publicado em 26/03/2023 às 14h16
Milhas aéreas movimentam economia e beneficiam consumidores
Foto: Junio Matos/AC

Você também tem aquele conhecido que volta e meia está publicando fotos de viagens nas redes sociais? Mais do que viajar mais, os investidores de milhas conseguem desfrutar de hotéis, pacotes e passeios economizando até 50% do que a viagem custaria normalmente. Em alguns casos, a viagem acaba saindo toda “na faixa”. 

O mercado das milhas tem crescido tanto que, além de uso próprio, especialistas em gerar e administrar milhas passaram a criar métodos de negócios, tendo as milhas como  fonte de renda, seja vendendo ou ensinando. É o caso de Matheus Shark (@matheusshark), um dos maiores influenciadores do ramo de milhas, que ministra o curso “O segredo das milhas”.  

Matheus morava em Manaus, mas a família é de Porto Alegre. Com a necessidade de viajar constantemente, ele buscou meios de economizar e acabou conhecendo os programas de milhagens.

“É um conhecimento que adquiri para meu uso. Depois, quando vi, estava na sala VIP de um aeroporto ensinando sobre milhas para Thiago Nigro (O primo rico). Comecei a postar conteúdos no Instagram e a repercussão foi tão grande que comecei a trabalhar ajudando as pessoas que se interessavam pelo método de administrar milhas”, conta Shark. 

O especialista diz que nunca imaginou que um dia fosse viajar apenas de classe executiva. “Para mim era algo distante. Mas quando fui estudando e entendendo sobre milhas, tudo se tornou mais fácil”, completa o empresário, que hoje administra mais de R$ 2 milhões de renda em sua empresa, Gestor de Milhas.

Segundo levantamento da MaxMilhas, entre 2019 e 2022 houve um aumento acima de 60%, em média, no custo para resgate de passagens com milhas. Para voos domésticos, o aumento foi de 30% até 95% nas principais companhias brasileiras. Já no mercado internacional, o aumento do valor das passagens em milhas foi de 56% a 100%.

Por isso, influenciadores como Matheus Shark ensinam como juntar as próprias milhas e, assim,  economizar.  “Tivemos as maiores altas das passagens dos últimos anos e o acúmulo de pontos para gerar milhas facilita a vida de quem gosta de viajar. Há inúmeras maneiras de juntar milhas. Muitas pessoas só conhecem o cartão de crédito, mas isso equivale a 10% dos meios que podem ser utilizados. Para se ter uma ideia, conseguimos juntar milhas com aluguéis de carro, imóveis no Airbnb, compras em lojas de departamento e até comprando um iPhone. Minha última viagem para os Estados Unidos foi paga com uma compra de um celular, que me gerou 180 mil milhas: o preço da passagem de ida e volta”, pontua.


(Foto: Junio Matos/AC)

 

As milhas viabilizam viagens, desconto em compras, lucro por investimento e renda e o  especialista bate na tecla de que as pessoas devem utilizar o conhecimento a seu favor na hora de gastar, ou seja: gastar de forma inteligente. “Não importa quanto você gaste, o fato é que gastamos. Uma pessoa que gasta mil reais por mês em algum momento fez uma compra em alguma loja que possa gerar pontos para trocar por milhas”, ressalta. 

Como dica, ele diz que a melhor forma de começar a acumular milhas é se cadastrando nos principais programas de fidelidade das companhias aéreas, buscar um cartão de crédito que gere pontos e, depois disso,  buscar o conhecimento. “Quanto mais conhecimento tiver, a pessoa consegue  acumular mais milhas”. 

 

Sonhos realizados


O vendedor Bruno Mesquita começou a juntar milhas em 2009 e já conseguiu o marco de acumular 1 milhão de milhas. “Viajar de avião sempre foi caro, principalmente para quem mora na região Norte e Nordeste. Desde a primeira vez que viajei, queria mais, mas devido a situação financeira não podia. Comecei a pesquisar como poderia conseguir de forma mais barata, e vi que os cartões de crédito seria uma forma. E como tenho cartões de crédito comecei a selecionar e pedir o que poderia gerar o maior número de milhas”, relembra.

Ele conta que o primeiro milhão de milhas que acumulou foi utilizando vários métodos de emissão de milhas. “Tem clubes de milhas que você pode formar grupo com até 5 pessoas, e todas as milhas dessas pessoas concentrar em uma para gerenciar. Também junto com aluguel de carro; hospedagem em hotéis; compra de pontos em promoções que os clubes oferecem. Também é importante saber o momento certo em transferir seus pontos nos cartões de crédito para clubes”, ressalta Bruno, que não utiliza as milhas apenas para viagens. 

“Além de fazer o meu objetivo de início que era viajar bastante, hoje em dia posso utilizar para compra de combustível, utilizar em aplicativos de transporte como Uber, aluguel de carro, diárias de hotéis. E Como trabalho com vendas, quando tenho problemas com os carros que utilizo para trabalho, vou nas parceiras locadoras dos clubes que aceitam milhas e alugo um carro, e muitas vezes  sai mais barato do que alugar pagando no dinheiro”. 

O vendedor faz, atualmente, uma média de sete viagens ao ano. Nos últimos 13 anos, fez nove viagens internacionais.

“Você se programando, prestando atenção nas promoções que os clubes lhe oferecem, seguindo em redes socias, vale a pena demais. Você pode fazer aquela viagem dos seus sonhos pagando até 50% do que o site daquela companhia aérea está oferecendo”.

 

Milhas como fonte de renda 

Especialista em milhas aéreas, Thamiris Franco (@viajemaismilhas) também começou a estudar sobre as milhas para conhecimento próprio. Quando percebeu, já estava emitindo passagens aéreas para amigos, amigos de amigos e, hoje, consegue fazer vendas para Manaus inteira por um custo bem menor do que a tarifa sem milhas. “Hoje conseguimos emitir milhas comprando um cupom de R$ 14 reais. No caso de quem tem agência e vende por milhas, dá para tirar um lucro. Eu vendo um milheiro internacional a R$ 26, uma diferença aí de R$ 12 que consigo lucrar”, calcula.


(Foto: Divulgação/ Arquivo Pessoal)

 

Thamiris também trabalha com consultorias individuais para quem deseja aprender as técnicas de emitir milhas. “Dou workshops individuais de acordo com a necessidade das pessoas: como juntar o primeiro milhão de milhas, como transformar compras de produtos em viagens… são muitas possibilidades que  muitas pessoas não fazem ideia”.

 

Em uma simulação de voo de Manaus para Bogotá, o preço da passagem, de ida e volta, saiu por R$2,3 na tarifa normal. Em outra simulação feita por Thamiris, comprando por milhas, o itinerário sai por 40 mil milhas. “Vamos supor, se a pessoa comprou um milheiro por R$14, ela vai pagar neste trecho de ida e volta, em real, R$ 560, mais de 50% de desconto”.