Mulheres líderes: desafios e vantagens
Mulheres compartilham experiências sobre liderança, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e os desafios enfrentados ao longo de suas trajetórias. Diversidade e a sensibilidade podem ser forças estratégicas na gestão de grandes negócios.
Conciliar carreira e vida pessoal continua sendo um dos grandes desafios para mulheres no mundo corporativo. Em uma mesa-redonda promovida pela Amazon Brasil, executivas da empresa compartilharam experiências sobre liderança, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e os desafios enfrentados ao longo de suas trajetórias. Juliana Sztrajtman, diretora-geral da Amazon Brasil, abriu a conversa destacando que, antes de ser líder, é mãe, reforçando a importância de humanizar a gestão. Ao lado de outras executivas da companhia, ela abordou como a diversidade e a sensibilidade podem ser forças estratégicas na gestão de grandes negócios.
Equilíbrio é tudo!
Viver além do trabalho é um dos pilares que Juliana Sztrajtman, diretora-geral da Amazon Brasil, busca ativamente incorporar no dia a dia da empresa. Seu compromisso com esse ideal ficou evidente já no primeiro discurso como líder da companhia, em janeiro, quando, antes de se apresentar como profissional, fez questão de destacar o papel que mais a orgulha: ser mãe.
A escolha não foi por acaso. Para Juliana, equilibrar vida pessoal e profissional é um exercício diário. “Eu sou líder da Amazon e me dedico muito a isso, mas também sou mãe. Muitas de nós somos mães, pais, filhos. E, sendo bem honesta, se eu tivesse que escolher um único papel, eu diria que sou mãe do Felipe e do André”, declarou.
Mais do que gerir resultados, Juliana defende uma liderança baseada na humanização. Embora ainda se espere que mulheres em altos cargos adotem uma postura rígida para se impor no ambiente corporativo, ela acredita que a sensibilidade pode ser um diferencial estratégico. “Podemos, sim, liderar uma empresa como a Amazon sem abrir mão do equilíbrio. Esse equilíbrio não significa fazer tudo perfeitamente ao mesmo tempo, mas sim entender que há momentos para cada lado — e está tudo bem. O segredo é ter um time diverso que se complementa.”
Transformações na jornada profissional
Talita Taliberti, diretora-geral da Alexa Brasil, também aprendeu na prática a importância desse equilíbrio. Durante anos, priorizou o trabalho e os estudos para atender às expectativas alheias, o que refletiu em sua liderança. Tudo mudou quando se tornou mãe.
“Percebi que precisava me reconfigurar. Mais importante do que o tempo é ter energia. Quando passei a cuidar disso, vi que não só o meu time se beneficiava, mas também meus filhos, que passaram a enxergar uma mãe que consegue viver além do trabalho.”
Conhecida por sua energia e alegria no ambiente corporativo, Talita é lembrada pelos colegas pela participação ativa nos blocos de carnaval de São Paulo.
Fernanda Spinardi, líder de Gestão de Soluções para Clientes da AWS, também trilhou um caminho de reinvenção. Seu sonho era ser engenheira aeronáutica, mas, à época, o curso não aceitava mulheres. Optou por engenharia elétrica e encontrou seu espaço no mercado, tornando-se uma referência em computação em nuvem.
Já Virginia Pavin, diretora do Marketplace da Amazon Brasil, é outro exemplo de adaptação. Engenheira da computação, trabalhou por uma década em consultorias de bancos antes de ingressar na Amazon. Lá, aceitou um desafio inusitado: deixar um cargo de liderança para desenvolver, sozinha, a plataforma de vendedores internacionais no Brasil.
“Na época, todos me questionaram: ‘Ué, você vai deixar de ser manager?’. Mas o negócio precisava de mim naquele momento como ‘eu time’. O projeto foi um sucesso e abriu novas portas para minha trajetória”, conta.
Diversidade e vigilância contínua
Josie Jardim, diretora jurídica da Amazon Brasil, reforça que a busca pela equidade de gênero e diversidade no mundo corporativo exige vigilância constante. Além de executiva, ela é uma das fundadoras do Jurídico de Saias, grupo de advogadas com mais de 3 mil integrantes no país. Criado em 2009, o projeto surgiu em um período em que diversidade ainda era um tema pouco debatido no meio jurídico.
“A luta pela pluralidade acontece a todo momento. No dia em que acharmos que chegamos lá, alguém pode criar uma lei que nos joga para trás. Não acredito nesse discurso de que as mulheres se derrubam. Pelo contrário: unam-se, porque sozinhas é muito mais difícil.” Josie também destaca a importância de incluir diferentes recortes dentro da pauta feminista, especialmente mulheres negras. Para ela, a desigualdade de gênero no mercado não está relacionada à maternidade, como muitos argumentam, mas sim a barreiras estruturais.
“Temos mais advogadas se formando a cada ano, com notas superiores e mais especializações do que os homens. Mas, ao olhar para os escritórios, os sócios ainda são, em sua maioria, homens brancos. O problema não é competência, é falta de oportunidades.”