Manaus dom, 8 nov
A Crítica
Economia

Natal  acelera  a rotina de artesãos em Manaus

Empreendedores locais transformam dezembro em um período de alta demanda, afeto e organização intensiva

Publicado em 13/12/2025 às 20h28
Natal  acelera  a rotina de artesãos em Manaus
Foto: Nilton Ricardo

Em Manaus, o fim de ano acelerou a rotina dos artesãos e produtores de pequenos negócios. Entre ateliês, mesas improvisadas na sala e bancadas cheias de laços, linhas de crochê e fotos impressas, cada empreendedor corre contra o tempo para entregar presentes que toquem o coração de quem recebe. É a época em que o trabalho manual vira presente, e o presente vira memória.

E é nessa energia acelerada, mas cheia de significado, que os empreendedores têm vivido o mês de dezembro. Na casa da cearense Flávia Rochelle e do amazonense Mateus Alves, da ‘Mimos Love Box’, o Natal chega em forma de maratona. O casal trabalha com cestas de café da manhã, kits personalizados e buquês de flores naturais, e divide as tarefas conforme o dia permite. Mas no Natal o jogo muda.

“Os dias ficam mais longos, as encomendas aumentam e a responsabilidade também, mas é justamente nesse período que sentimos a força da nossa parceria. Durante a semana, como eu trabalho fora, meu esposo fica à frente de praticamente tudo: produção, atendimento, personalizações e organização dos materiais. Ele é o coração da operação diária”, disse Flávia.

Da teoria à prática

A empreendedora conta que o negócio nasceu de conversas do casal pela madrugada e hoje é realidade. Nos fins de semana, quando tudo se encaixa, os dois viram uma dupla afinada, montando juntos os itens personalizados. Para eles, o sucesso das cestas de café da manhã e dos outros kits de presente no Natal é motivado por essa parceria do casal e pelo afeto entregue em forma de produto.

“No Natal costumamos produzir entre 80 e 150 mimos (entre cestas, presentes personalizados e buquês de flores naturais), todos feitos de forma artesanal. Para dar conta, nos organizamos com cronogramas, checklists e muita comunicação, mas o que realmente sustenta tudo é a parceria. Cada cesta que sai daqui leva um pouco da nossa história, do nosso cuidado e do propósito que nos move como casal empreendedor”, destacou Flávia.


Criadora da marca ‘Retrato de Amor’, Ayla Nascimento trabalha com quadros, polaróides, caixas e lembranças personalizadas (Daniel Brandão)

 

Negócio por amor, literalmente

No ateliê da jovem manauara Ayla Nascimento, de 22 anos, o Natal tem cheiro de papel fotográfico novo e tintas que secam em uma espécie de “linha de montagem”. Criadora da marca ‘Retrato de Amor’, ela trabalha com quadros, polaróides, caixas e lembranças personalizadas há dois anos. Para a temporada natalina, Ayla conta que já se antecipou desde outubro para lançar os produtos próprios para o Natal.

“Nesta época, tive que aumentar meu tempo de produção pra conseguir atender a demanda. A maioria dos pedidos são de famílias que querem decorar as árvores, mas também de empresas que querem decorar o ambiente e amigas fazendo lembranças personalizadas. O que mais mudou foi que agora preciso separar os pedidos por tipo, como se fosse uma linha de montagem, já que os materiais mudam. Assim facilita o trabalho”, explica.

Sobre o início do trabalho, Ayla relata que começou o “negócio por amor, literalmente”. Segundo ela, a ideia surgiu a partir de um presente que fez para o companheiro, pois sempre gostou de dar presentes artesanais. O nome da loja também carrega lembrança, como ela destaca.

“Fiz um quadro para meu companheiro e, quando postamos, as pessoas perguntaram onde eu tinha pedido. Esse foi meu pontapé inicial”, disse. “Me inspirei na palavra retrato por ser algo que meu avô falava… ele não tinha costume de dizer tira uma foto. Era sempre bate um retrato. Como acredito que as fotos eternizam algo especial, daí surgiu o nome Retrato de Amor”, contou.


Jacqueline Bernardino trabalha na confecção de sousplats, bases decorativas que ficam embaixo do prato na mesa posta (Nilton Ricardo)

 

Entre linhas, pontos e nós

Enquanto isso, no pequeno universo colorido de linhas, pontos e nós da manauara Jacqueline Bernardino, de 64 anos, a tradição fala alto. O crochê acompanha a vida dela “há bastante tempo”, como ela mesma descreve. Segundo Jacqueline, mesmo fazendo “de tudo um pouco”, foi no Natal que ela decidiu apostar nos sousplats, bases decorativas que ficam embaixo do prato na mesa posta. Perfeccionista assumida, Jacqueline se programa para deixar tudo pronto o quanto antes.

“Quero tudo pronto antecipado, então trato de ser rápida. Mas fica muito cansativo, porque além dessas produções tenho a casa pra cuidar. Mesmo assim, fico muito feliz de poder agradar a todos e deixar a mesa deles arrumada para receber seus familiares e amigos. Me sinto orgulhosa de ver que as pessoas gostaram do meu trabalho”, conta.

Pelas redes sociais, ela mostra parte das peças no perfil no Instagram, onde conversa com clientes e mantém viva a troca com quem admira seu trabalho.

O primeiro contato com o crochê ela lembra bem, e guarda com carinho de onde veio a inspiração para permanecer no ramo.

“Tenho uma amiga que me ensinou e, graças a ela, aprendi e pude fazer as minhas obras de arte. A primeira peça foi uma toalha bordada em vagonite (técnica de bordado manual) de 12 lugares”, relembra.