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A Crítica
Economia

Projeto forma artesãs de Coari em design e empreendedorismo com bolsas e cursos online

Iniciativa da Rede Asta, com apoio da Transpetro, oferece capacitação gratuita a mulheres da região Norte e mais oito estados

Publicado em 03/05/2025 às 12h31
Projeto forma artesãs de Coari em design e empreendedorismo com bolsas e cursos online
Foto: Rede Asta/Divulgação

A cultura amazonense é marcada por diversos elementos e aspectos que enriquecem a tradição e a história de seu povo. Música, gastronomia, folclore, danças, lendas, sotaque e artesanato são exemplos dessas expressões culturais que não apenas diversificam, mas, sobretudo, tornam única a produção cultural do estado do Amazonas.

Dentre esses elementos, o artesanato chama a atenção em todo o território brasileiro por sua rica e diversa produção, uma vez que se utiliza de matérias-primas da própria natureza, como escamas de peixe, fibras, sementes, penas, barro, entre outros materiais.

Além disso, é fortemente influenciado pelas culturas indígenas, caboclas, ribeirinhas e campesinas na confecção de suas “obras” artesanais, tornando-se um importante instrumento de preservação e manutenção da cultura, memória e identidade amazônica.


(Foto: Rede Asta/Divulgação)

Nesta semana, a reportagem de A CRÍTICA conheceu o projeto Escola de Design para Artesãs, da Rede Asta — iniciativa incentivada pela Lei Rouanet e patrocinada pela Transpetro — que promove a formação gratuita de mulheres artesãs em dez estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O projeto fortalece a economia criativa por meio de cursos de formação profissional, bolsas de estudo e capital-semente para nanoempreendedoras.

De acordo com Antonio Villela, diretor de projetos da Rede Asta, a Escola de Design é uma iniciativa voltada para atender mulheres artesãs com o objetivo de ampliar a capacidade criativa e técnica do público-alvo em todos os municípios contemplados, tendo como base o acesso ao design como ferramenta de transformação.

“O foco está em promover o acesso ao design, tanto dos produtos quanto da autoestima e do posicionamento profissional no mercado. O projeto visa alcançar dois grandes objetivos: valorizar o fazer manual brasileiro com identidade e inovação, e fortalecer a autonomia financeira das artesãs, permitindo que elas desenvolvam coleções autorais mais competitivas, sustentáveis e alinhadas com as tendências do mercado”, explicou Villela.


(Foto: Rede Asta/Divulgação)

Para alcançar esses objetivos, além dos cursos de formação profissional ofertados, o projeto também oferece bolsas de estudo às participantes durante o curso e, ao final, 36 alunas-artesãs serão premiadas com capital-semente no valor de R$ 1.000,00, para investir em seus negócios e fomentar suas atividades profissionais.

O diretor de projetos da Rede Asta considera que a Escola de Design tem grande significado e relevância para a economia criativa e o microempreendedorismo feminino nas regiões atendidas, uma vez que irá beneficiar mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica, impulsionando emprego e renda por meio da produção e comercialização do artesanato.

“Para muitas dessas mulheres, talvez todas, será a primeira vez que terão acesso a uma formação estruturada em design, com conteúdo acessível e conectado com sua realidade. Isso representa não só um salto na qualidade dos produtos, mas também uma mudança profunda na forma como elas se veem enquanto profissionais e empreendedoras”, salientou o diretor de projetos.


(Foto: Rede Asta/Divulgação)

No Brasil, dados recentes revelam um aumento no microempreendedorismo, especialmente entre mulheres. De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), somente em 2024 foram abertas cerca de 2,8 milhões de pequenas empresas. A Rede Asta, nesse contexto, direciona sua atuação ao acesso à formação em locais muitas vezes de difícil acesso ou com infraestrutura limitada, promovendo o crescimento e fortalecimento da economia criativa.

“Artesãs de Coari vivem em uma região de difícil acesso, com limitações logísticas e digitais, mas têm uma riqueza cultural e um saber-fazer tradicional muito valioso. Pela Escola de Design queremos romper essas barreiras e levar uma formação de qualidade, incentivo financeiro e oportunidade de se posicionar como protagonistas nos seus territórios”, salientou Villela.


(Foto: Rede Asta/Divulgação)

A Escola de Design para Artesãs será desenvolvida a partir de metodologia online, com ênfase em encontros e atividades na plataforma de educação a distância da Rede Asta. O conteúdo inclui módulos sobre produção de design, gestão, precificação, vendas e intercâmbio cultural entre mulheres.

“O projeto estimula o trabalho em rede e o intercâmbio cultural entre as alunas, criando conexões que ultrapassam fronteiras geográficas e fortalecem o ecossistema do feito à mão. Nestas novas turmas da Escola de Design com inscrições abertas, teremos 360 artesãs de 9 estados e do Distrito Federal, em 21 municípios”, frisou o diretor de projetos.

Sobre as inscrições

As inscrições para a Escola de Design já estão abertas e seguem até o dia 23 de maio de 2025. Para participar da seleção, as candidatas devem atender aos critérios do projeto e preencher o formulário online, disponível no link: https://pt.surveymonkey.com/r/transp-blog-release.

“Acreditamos que, ao apoiar essas mulheres a se reconhecerem como empreendedoras e protagonistas de suas histórias, estamos contribuindo para uma sociedade mais justa e inclusiva”, concluiu Antonio Villela.


(Foto: Rede Asta/Divulgação)

Não há limite de vagas por cidade. Dessa forma, mulheres de todos os municípios das regiões contempladas pela Rede Asta poderão participar, desde que atendam aos critérios estabelecidos.

Norte: Belém (PA) e Coari (AM).
Nordeste: Candeias, Itabuna, Jequié, Madre de Deus e Itajibá (BA); Fortaleza e São Gonçalo do Amarante (CE); São Luís (MA); Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca (PE); Guamaré (RN); Aracaju (SE).
Centro-Oeste: Brasília (DF); Abadiânia, Alexânia, Bela Vista de Goiás, Bonfinópolis, Santo Antônio do Descoberto e Senador Canedo (GO).