Rotas favorecem o Amazonas no comércio com países da América do Sul
PAC Integração prevê obras para cinco rotas, três delas com ligação direta no Amazonas, para melhorar a logística de produtos e o turismo
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação, Serafim Corrêa, disse que o Amazonas “torce para que dê certo” o plano do governo federal de investir em rotas comerciais com países sul americanos. Nomeado ‘PAC Integração’, o programa prevê obras para cinco rotas, três delas com ligação direta no Amazonas, para melhorar a logística de transportes de produtos e para o turismo.
A primeira rota é a chamada ‘Ilha das Guianas’, que pretende integrar Amazonas, Pará, Roraima e Amapá aos países ao Norte – Venezuela, Guiana e Guiana Francesa. Um dos investimentos previstos neste plano é a revitalização da BR-174, que liga Manaus a Boa Vista. As obras tiveram início no ano passado.
Faz parte deste arco a extensão do Linhão de Tucuruí, para ligar Roraima ao Sistema Nacional de energia, e a concessão do porto de Santana, no Amapá, considerado uma saída importante para o Atlântico.
Já a segunda rota é considerada a mais importante para a economia do Amazonas, em especial para a Zona Franca. Trata-se do projeto Manta-Manaus, que inclui uma hidrovia partindo da capital amazonense até a Colômbia, para, a partir deste país, seguir por estrada, no porto de Manta, no Equador.
“Se você tiver a alternativa de Manta, aí já caminhamos de outra forma, porque a rota dos containers será bem diferente”, ressaltou Serafim Corrêa. Ele disse que a rota poderá auxiliar, inclusive, durante períodos de grande estiagem no estado, quando a navegação fica comprometida. Isso porque, como se trata de hidrovia, espera-se que a manutenção seja frequente, inclusive dragagem (escavação) do rio para facilitar a navegação.
No ano passado, as indústrias do Amazonas tiveram de gastar R$ 1 bilhão a mais para transporte de insumos devido à seca histórica que atingiu o estado. O dado foi divulgado pelo Centro das Indústrias do Amazonas (Cieam). Além disso, o governo estadual perdeu R$ 500 milhões em arrecadação de ICMS, fruto do freio na economia.
A terceira rota, embora não seja ligada ao Amazonas, tem forte potencial de impactar positivamente a economia do estado. Trata-se da ligação do Acre, Rondônia e Mato Grosso com portos do Peru, Chile e Bolívia. Isso porque, está incluído neste arco, o porto de Chancay, no Peru, já citado pelo superintendente da Zona Franca de Manaus, Bosco Saraiva, como de interesse do estado.
“A gente tem acesso a ele através de Quito pelo Rio Yurimaguas, que percorre e chega em Tabatinga. Os insumos da Ásia podem chegar em 18 dias a menos do que temos hoje [no Amazonas]. Do Peru para a Ásia, hoje, eles levam 40 dias, agora eles vão gastar 10 dias somente. Isso vai causar um impacto grandioso na questão da infraestrutura da mudança de rota”, disse para A CRÍTICA o superintendente, em reportagem de fevereiro.