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A Crítica
Economia

Trump usa tarifaços para minar ordem internacional e favorecer extrema direita, diz sociólogo

Marcelo Seráfico afirma que presidente norte-americano radicaliza hegemonia dos EUA e enfraquece o multilateralismo; economista aponta uso de sanções como arma geopolítica

Publicado em 12/07/2025 às 10h37
Trump usa tarifaços para minar ordem internacional e favorecer extrema direita, diz sociólogo
Foto: Arquivo AC

Doutor em Sociologia e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Marcelo Seráfico afirmou que o presidente norte-americano, Donald Trump, está utilizando os tarifaços para “fazer ruir completamente a já frágil ordem política internacional”. O sociólogo destacou que esse comportamento é recorrente.

“Essa ordem vinha sendo sistematicamente desrespeitada pelos EUA em governos de democratas e republicanos, algo que pode ser comprovado pela substituição do ouro pelo dólar, no governo de Nixon; pela farsa das armas de destruição em massa que levou à invasão do Iraque; pela espionagem patrocinada pelo governo de Obama ou pelas mais de 40 intervenções do governo norte-americano em outros países, desde a II Guerra Mundial”, disse.

Seráfico explicou que um dos objetivos de Trump é manter sua hegemonia sobre outros países. “O que Trump faz agora é radicalizar a posição do governo norte-americano, ameaçando e impondo sanções a todo e qualquer Estado nacional que não assuma posição subordinada aos interesses do governo dos EUA”, disse.

O sociólogo também afirmou que há interesses políticos de fortalecimento da extrema direita no cenário internacional. “Ao fazer isso, ele também busca reiterar e fortalecer alianças que favoreçam a ampliação de movimentos e políticos de extrema direita em escala transnacional. Daí a esdrúxula associação entre política alfandegária (a taxação) e pretensão de intervenção política (em decisões do judiciário brasileiro)”, informou o doutor.

‘Condado’

Marcelo Seráfico disse, ainda, que Trump olha para o Brasil como se fosse um “condado de seu reinado” e impõe sanções caso o país contrarie seus interesses.  “É um passo adiante nessa tentativa de, por um lado, minar o avanço do multilateralismo (de que o BRICS é exemplo) como alternativa à erosão definitiva da ordem do pós-II Guerra Mundial e, por outro, de, em contraponto, tentar restaurar a influência política e econômica dos EUA no mundo”, afirmou.

Quanto ao resultado da “guerra comercial” iniciada por Trump, Seráfico avalia que não terá bom resultado. “Pelas respostas que vêm de dentro e de fora dos EUA, essa estratégia parece fadada ao fracasso, ainda que cause celeuma política e econômica. Portanto, a pergunta que devemos nos fazer é: fracassada a tentativa de enquadrar os poderes de uma República, como o Brasil, nos moldes dos interesses político-ideológicos da extrema direita representada por Trump, que outras medidas virão?”, disse.

O economista Lauro Brasil explicou que a taxação é um problema multifacetado, mas que é uma forma de manter os EUA com poder comercial sobre os outros países.

“O governo americano está forçando, através do seu poderio econômico e comercial, a maioria dos países onde eles têm relações comerciais, a, através dessas taxações, tentar reaver acordos comerciais que favoreçam o governo americano para tentar amenizar ou diminuir déficits comerciais que os Estados Unidos tem para com o mundo”, explicou.

Domínio

Lauro Brasil disse que a medida também tem estratégia geopolítica, como domínio norte-americano sobre países em desenvolvimento. “Ao mesmo tempo, ele utiliza desse poderio econômico como arma geopolítica, para tentar amedrontar, ameaçar e, muitas das vezes, forçar países que têm fragilidades econômicas a fazer aquilo que os Estados Unidos tem de pretensão nas suas diversas regiões ao redor do mundo, desde o Oriente Médio, a Ásia, a América do Sul, em relação a essas questões”.

O economista lembra que a maior briga comercial norte-americana é com a China, um dos parceiros do Brasil e que compõe o BRICS. “Essa disputa comercial que ele tem com a China é uma relação onde a China tem superávits comerciais cavalários com os1970, onde as empresas americanas foram para a China atrás de uma mão de obra barata e de condições de produção mais favoráveis.

 

BLOG> Lauro Brasil – Economista

“Os Estados  Unidos estão utilizando a sua força econômica para tentar fazer com que haja uma industrialização forçada nos Estados Unidos,  para que atraiam novamente essas empresas para lá, ao mesmo tempo que faz com que os países tenham acordos comerciais favoráveis com eles, mesmo daqueles que têm déficit comercial com os Estados Unidos. Isso para que os Estados Unidos tenham maior força econômica, para que consiga disputar economicamente com o poder chinês, que está avançando muito em relação ao poderio americano”.