Conhecimento do povo Baniwa na graduação em agroecologia da UEA
Pimenta produzida na terra indígena do Alto Rio Negro á é vendida em supermercados de São Paulo. Graduação terá novo polo na Escola Indígena Baniwa Koripako – EIBK Pamáali, em São Gabriel
A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) irá lançar um curso superior voltado para estudantes da Escola Indígena Baniwa Koripako – EIBK Pamáali, localizada no Alto Rio Negro e pertencente ao município de São Gabriel da Cachoeira. A graduação em agroecologia será a primeira da parceria estabelecida entre UEA e EIBK Pamáali. O povo Baniwa é pioneiro em lançamentos no mercado de produtos feitos da floresta. A pimenta produzida na terra indígena já é vendida em supermercados de São Paulo.
De acordo com o Professor Dr. André Baniwa Hipattairi, o curso visa, entre outros objetivos, fortalecer o sistema agrícola milenar destes povos indígenas, além de incentivar projetos de bioeconomia.
Segundo a professora Dra. Kelly Christiane de Souza, da Pró-reitora de Ensino de Graduação da UEA, a graduação terá início no 2º semestre letivo de 2022, e o vestibular – com oferta de 40 vagas – será especifico para a EIBK Pamaali.
“O curso nasce a partir da demanda apresentada pela própria Pamáali, assim como nascem todos os cursos de oferta especial da UEA. E após tratativas com o Dr. André Baniwa chegamos a um modelo de curso que viesse de encontro às necessidades da EIBK Pamáali. A partir da demanda, o diálogo entre nós foi fundamental para que pudéssemos pensar em um currículo e em um percurso metodológico que pudesse atender as especificidades, assim como que pudéssemos fazer o planejamento orçamentário, visto que o curso é 100% financiado pela UEA”, afirma a Dra. Kelly Christiane.
De acordo com a UEA, a oferta desse curso para a EIBK Pamáali pode ser considerada um ‘teste’, visando até mesmo a implementação de outras graduações a partir dessa parceria.
Sobre a escola
Considerada modelo de inovação na educação escolar indígena no Brasil, a Escola Baniwa e Coripaco Pamáali, na Terra Indígena Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira (AM), foi fundada em 2000
A Escola atende alunos dos ensinos fundamental e médio de toda a região do rio Içana e já foi reconhecido pelo MEC como instituição de referência em inovação e criatividade na educação básica no Brasil. A metodologia de ensino via pesquisa parte do conhecimento tradicional e dialoga com os conhecimentos acadêmicos e científicos.